28 junho, 2008

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Este post é dedicado ao Augusto Mota, àquele sujeito determinado que se atrasa nas dedicatórias!
Esta fotografia é a junção da fertilidade da mãe e da chuva.


com um abraço austral da
mariagomes

27 junho, 2008

- a dança do vento


poema de Gabriela Rocha Martins / foto e arranjo gráfico de Augusto Mota

26 junho, 2008

Lançamento do Livro “Lavrar no Corpo das Algas”

Realizou-se, no passado dia 31 de Maio, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia – Instituto Politécnico de Viseu – o lançamento do novo livro de poesia de Graça Magalhães.
Após umas breves palavras do editor Jorge Fragoso sobre o livro e sobre o prazer que experimentou em editar a poesia de um dos membros do “sarau dos danados”, grupo do qual também faz parte, seguiu-se a apresentação da obra pelo Dr. Pompeu Martins, sociólogo, escritor e poeta. A sessão prosseguiu com algumas palavras da autora sobre as suas relações com a poesia e com os seus leitores e sobre a forma de como, neste livro, reescreve todo um mundo interior como se ele fosse composto por pequenas algas verdes e luminosas. Nesta obra “…as palavras, figurando como algas, são um caminho de símbolos e sinais entre as coisas e as pessoas expandindo a cada momento os momentos gratos de uma insustentável tristeza e beleza, em que se lavra um corpo de ideias que se cruza incessantemente na busca de uma sabedoria interior, que possa, cada vez mais com uma maior precisão, agarrar de forma perfeita o que nos escapa”.
A leitura de alguns poemas esteve a cargo do grupo “sarau dos danados”, ao qual a autora também pertence.
Esta apresentação contou ainda com a presença do acordeonista Paulo Pires do grupo Experiment´arte, proveniente do Algarve, que executou brilhantemente algumas peças musicais, acompanhando a leitura de dois poemas, feita pela própria autora.
A este momento poético seguiu-se uma agradável confraternização.
Este é o terceiro livro editado por Graça Magalhães sob a chancela da Editora Palimage.




Da esquerda para a direita: o editor Jorge Fragoso, a autora Graça Magalhães e o sociólogo, escritor e poeta, Pompeu Martins.






Um aspecto da assistência.




Da esq. para a direita, Paulo Pires e os membros do “sarau dos danados”: Porfírio Al Brandão, Cláudia Borges, Jorge Fragoso, Cristina Nery e Graça Magalhães.



Paulo Pires e Graça Magalhães num momento poético-musical.


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ar que despedaça
a alegria dos gestos
ébrios de azul




poema/fotografia - Maria Costa

Texto transversal


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África é nome de mulher


Paisagem africana / Zâmbia / foto de Catarina Freitas

"A descrição de África é uma descrição de mulher. África é nome de mulher.

É mulher, Mãe e virgem. É Virgem e Negra. Apesar dos abusos de

que foi vítima, foi-lhe concedida a virgindade eterna."

palavras de João Fortio, in «Demasiado / too much», edição do autor, 2007, p. 56


25 junho, 2008

Canção: dois andamentos

anda por ti
na rua vem
passa por mim
aqui ali além

assim bebo a cor ao dia
peço água fresca à lua

anda por mim
na minha rua
passo por ti
cresces na lua

assim bebo a cor ao dia
amanheço na rua


anda por mim na tarde quente
passa por aqui
passa por gente

assim me luz o dia
vivo por ti contente

assim vivo na sombra desta árvore
dou-te o luxo das sementes
conheço o brio das tardes
o piar dos pássaros comoventes

vou por ti
vem por mim
vivo por ti
corro no fim

anda por nós no canto só de gritos
dá-me a noz do teu peito
dá -me ágil o jeito
vivo por ti no piar aflito
quero-te sou imperfeito

José Ribeiro Marto, in Canções 2007

Corro Com os Pés vazios

Ninguém penetra nas coisas se os dias estão cheios.
Por isso, a respiração dos pássaros é urgente.
Perto, estão ainda as rotas da seda, as encruzilhadas
do sonho,
a luz oblíqua incidindo na calcite amena das cidades
majestosas.
Penso em Alepo, Palmira ou na colunata radiosa
da antiga cidade de Apameia.
E corro com os pés vazios, enrolados em serpentes,
rosas e violinos,
o tempo suspenso na grande noite clangorosa de pilares
obscuros,
Na malha do silêncio, o fogo oculto, a lira vermelha
desoculta, na lenta combustão, o deserto irado e triste,
a água submersa de um veneno a florir,
num eixo descoordenado e cego de vinhas
sanguinolentas, os pés moldados num grito
de acordar de outra forma,
essa, outra, lenta, resguardada de cantar a giesta nocturna,
no vinho turvo, dolente das roseiras altas de inventar
os muros, na aura ígnea das estrelas maceradas,
na pedra líquida,
nas malhas de sangue espesso que transcrevo
num grito lúcido, frio,
............................. transcendente,
.................................................... amanhã.

Maria do Sameiro Barroso, in "As Vindimas da Noite"

Canção sem motivo


Uma canção sem motivo,
Sem história para contar,
Uma canção só de cantar
O prazer de estar-se vivo.

Com as palavras que trago,
Quentes, no coração,
Com essas mesmas te afago
E te chamo meu irmão
E te chamo meu amigo,
Porque é contigo que eu quero
Partilhar esta alegria,
Este prazer de estar vivo.

Uma canção sem enredo,
Correndo com um ribeiro
Pelas veredas do ser -
Meu coração verdadeiro
Vencendo as trevas do medo,
Pla alegria de viver.

Ai, se eu pudesse, canção,
Sem palavras te faria.
Qual bandeira desfraldada
Para todos, sem excepção -
Fosses só pura alegria
De estar vivo e mais nada.

António Simões, inédito.

ternas são as campânulas


poema de Gabriela Rocha Martins / foto e composição de Augusto Mota

Convite/ Informação

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As Edições Sempre-em-Pé e a Casa Fernando Pessoa têm o prazer de convidar V. Exa para uma sessão em que serão apresentadas as duas séries de poesia actualmente publicadas pela editora referida: a série DiVersos - Poesia e Tradução, que se publica desde 1996, e a colecção de poesia UniVersos, iniciada em 2005.

Além de outros números recentes, estará disponível o n.º 13 da DiVersos, acabado de publicar em Junho. Serão lidos poemas por alguns poetas (Cristino Cortes, João Miguel Henriques, J. T. Parreira e Ruy Ventura) e tradutores (Ana Maria Carvalho, José Lima e Manuel Resende) que já colaboraram com a DiVersos.

Dos quatro títulos publicados na colecção UniVersos, os dois últimos serão abordados com mais vagar: Rio Abaixo, Rio Acima, do poeta alemão Tobias Burghardt, numa edição bilingue com tradução portuguesa de Maria de Nazaré Sanches, e Gloria Victis, do poeta Carlos Garcia de Castro, com a presença e apresentação pelo Autor e comentário crítico do Dr. Rui Cardoso Martins, do Jornal Público.

A sessão será coordenada por José Carlos Costa Marques, um dos coordenadores de DiVersos e editor de ambas as séries. A entrada é livre.

24 junho, 2008

As palavras que não dizem

Há palavras que não dizem
O que querem dizer

Um animal não é um animal.
Uma estrela desistiu de o ser.
A primavera
não sou eu
nem podia ser
porque cheira a frutos
traz flores no cabelo
e eu faço pressão na água
com o fundo dos dedos.

Sinto um gozo de toalha
Um torpor de guardanapo
Insisto na generosidade humana.
O que mais quero é que não mudem
Os dicionários de palavras puras
Nem sinónimos nem acordos
nem ortografias duvidosas
quando as sílabas acontecem.

Graça Magalhães Junho 2008

- estrela d'alva


23 junho, 2008




EPISTEMOLOGIA DO ROMANCE


chegaram a casa entusiasmados
arrumaram à pressa a despensa – amores-de-fogo
mal catalogados
de tão pura e limpa a crença

um fiozinho de geleia no pátio
e prosseguiram cuidando dos penhascos invisíveis

reescreveram a fronteira enlaçados nas escadas
recordaram um outro fuso horário para lá do espaço
telegramas em pétalas de magnólia
numa ilusão de armários abertos, verdadeiramente nus
e os rostos fecundados
repetidamente gastos de quadro em quadro na parede
parede fluida estampada naquela que encostados descem

as bocas como mais genuíno comburente
e um selo portentoso no elo
bem assente no vértice mais dócil
do andor

– o romance começa onde as feridas se ressalvam



Porfírio Al Brandão [2008]
*
Colagem de Fernando José Francisco [s/ data]