Que inspiram a minha vida
por quem irei permanecer
III Bienal de Poesia do Concelho de Silves
imag. de Antonio Pallaiolo
Joaquín Sorolla Bastida
sob o lençol parecia um anjo quase humano
o rosto assustado pela manhã sem aves
todo o corpo inclinado para as estrelas do chão
as mãos muito frias
cabelos alvos num verão quase sem sol
de quando em quando
o vento trazia uma palavra de volta
e toda a casa refulgia no silêncio do quintal
agora junto às árvores
a voz da neve
onde a lira dos bosques dorme
maria azenha
óleo de ines scheppach
o silêncio que agora se mira
no espelho dos teus lábios
trouxe-me ao mundo
porta para outra vereda
que me recolherá na morte
- minha mãe -
devo ser a luz de um sonho antepassado
os dias que viajam em vertigem
Maria Costa
dorme minha filha dorme
sobre os ursos de algodão
aquieta aí o teu sono
tens aqui a minha mão
dorme minha filha dorme
puxao sono a cordelinho
com que puxas os cordeiros
pastando no lençolinho
dorme minha filha dorme
vou-te dando o meu carinho
agora dorme , dorme dorme
eu vou cantando baixinho
dorme ninha filha dorme
é a tarde um passarinho
canta algures no outeiro
ou no leve ramo do loureiro
José Ribeiro Marto ( 1999)


