mal iluminado à hora
do combate da luz
e das sombras
como diz Ovídio
quando o sol
abre a terra aos olhos
humanos
ou se fecha ele na água
porque à luz do dia
andaram os ecologistas
que querem salvar
o acanto
os amentilhos
e até as suas escamas
róseas
porque é em maio
terreno húmido
as folhas espraiam-se
enrolam-se
erguem-se entrelaçam-se
cobiçadas sempre
por si mesmas
atraem pensamentos
inquietos
que nelas se refugiam
algum medo
alguma dúvida
alguma falta
não sei não canto
vassouras de bétula
enfeitadas com um penacho
de acanto
enquanto fieiras de fogo
de olhos
de pequenos bichos
do mato
texugos tourões
as seguem por terra
(...)
in PRODIGIOSO ACANTO, pp.39 a 41.
Fotografias de Augusto Mota. A primeira imagem - um tufo de folhas de Acanto - foi obtida no sopé do monte do Castelo de Leiria. As restantes imagens foram obtidas muito próximo da "nascente" do rio Lis. Em ambos os locais o ACANTO encontra-se ainda no seu estado espontâneo. Ver as restantes fotos deste "safari" fotográfico e textos anexos em:












