13 outubro, 2008

ser poesia







27 de julho de 2008
ao vicente

assinalo uma folha uma palavra um poema e
disponho.os sobre a mesa . retiro

o primeiro verso

escrito aquém da bruma . o poema pressente

o golpe . grita mutilado . exige.se
em corpo inteiro

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a chama
esse sopro de genialidade
que o precede no útero materno
estende um braço uma mão
dois dedos e
à saída do ventre
abriga o verso

em ritmo doloroso

a forma mais nobre de parir o poema









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01 Bobo.wma -
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11 outubro, 2008

Eduardo Lourenço - Mérito Cultural

"No decurso do Congresso Internacional Eduardo Lourenço - organizado esta semana pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) - o ensaísta Eduardo Lourenç foi, na segunda-feira, agraciado com a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Governo português.
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A Medalha de Mérito Cultural foi atribuída a Eduardo Lourenço como agradecimento e homenagem do Governo ao ensaísta e filósofo, de 85 anos."

(JN - clicar no título deste post para aceder ao texto integral)
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Obrigada, Eduardo Lourenço, por nos ajudar a compreender melhor este país e o mundo!
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abraço da mt

Os Modelos - Yannis Ritsos

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Não esqueçamos nunca - disse - as boas lições, aquelas
da arte dos Gregos. Sempre o celeste lado a lado
com o quotidiano. Ao lado do homem, o animal e a coisa —
uma pulseira no braço da deusa nua; uma flor
caída no chão. Recordai as formosas representações
nos nossos vasos de barro — os deuses com os pássaros e com outros animais,
e juntamente a lira, um martelo, uma maçã, a arca, as tenazes;
ah! e aquele poema em que o deus, ao terminar o trabalho,
retira o fole de junto do fogo, recolhe uma a uma as ferramentas
dentro da arca de prata; depois, com uma esponja, limpa
o rosto, as mãos, o pescoço nervudo, o peito peludo.
Assim, limpo, bem arranjado, sai à tardinha, apoiado
nos ombros de efebos todos de oiro — trabalhos de suas mãos
que têm força, e pensamento, e voz; — sai para a rua,
mais magnífico que todos, o deus coxo, o deus operário.
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Giánnis Ritsos, "IX- Repetições", in Antologia. Selecção, trad.  e prefácio de Custódio Magueijo. Coimbra: Fora de Texto, 1993, p. 106.
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com Abraço da mt


FEBRE TIPÓIDE

alguém anda enganado neste mundo
tipo eu ou um outro talvez não sei
sinto-me mal tipo vou-me embora
apanhem-me as sandálias e por favor
mergulhem as bolachas no leite fresco
e dêem-nas ao gatinho a miar desalmadamente
perdido da mãe tipo na extremidade do carril
agora percebo o brilho da madeira no livro
viajar tipo correr as páginas até à exaustão
e miar feito gato à espera das bolachas
com medo dos cães tipo polícias do futuro
alguém enganado? todos tipo humanidade inteira
agora compreendo céline e a sua inquietação
azedume tipo ácido sulfúrico aspergido
venham julgar-me neste estado debilitado
estou doente tipo quarenta e dois graus de febre

Porfírio Al Brandão # 2008

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10 outubro, 2008

na esteira de Pessoa


[120 anos de nascimento de Fernando Pessoa]


um poeta finge . se finge
realiza.se em ser Poesia
no encontro dos seus pares –

[magnificat]

os vagabundos de palavras

gabriela rocha martins
( imagens retiradas da net ).

08 outubro, 2008

Saudade


Tenho saudades das coisas simples
das férias sobre a areia
e de ver como tu eras
de vento nas falésias
saudades da névoa
no rosto das manhãs

de brincar aos deuses de areia
na luz das noites marinhas
de abraçar as gargalhadas
a doer o eco da casa
onde vive efémero um rosto
que não habito.

Já não há mãos que falem comigo
e nada me parece humano
de tão divino
e volto a desistir
a ser só poeta
por isso vejo tudo
o que parece
e é como se cada imagem
pudesse escrever uma nascente.

Graça Magalhães, Outubro 2008

06 outubro, 2008

05 outubro, 2008

UM PÁSSARO NO JARDIM CESÁRIO VERDE

ao meio dia o relógio suspende a hora
no jardim Cesário Verde ouço alegria
é um pássaro insisto nas suas penas
quero inscrevê-las na minha retina antiga
onde outros florescem e ninguém os vê


sei-lhe o nome na paisagem e na árvore
sei-lhe o voo as rotas as inquirições da tarde
sei do pouso em que se acosta o sol em que perdura e arde


e todos os pássaros são aquele
que canta e prolonga o seu cantar pelo dia

é verde por entre a quietude da folhagem vermelha e amarela
canta o dia canta alegria de estar por entre os segredos
o nome não o digo pode morrer
haverá solicitação papel atento
máquina fotografia o perigo à espera
haverá querer apagá-lo basta a fonte de um ouvido

o pássaro pode morrer no nome pronunciado
de o soletrar de o dar a ouvir
por isso o ouço em silêncio desinteressado
não o pronuncio não o digo

o pássaro continua a cantar no meu silêncio
e canta canta
é um cantar de vidro
e é toda a minha infância no cantar dele
que a minha pele chega a doer
ao sol do meio dia

José Ribeiro Marto

O Olhar da Distância


Para Fiama Hasse Pais Brandão
e Maria Teresa Dias Furtado


As barcas partem sempre novas, renovadas.
No fôlego que habitou a noite,
a errância expandiu-se, talvez se expanda ainda,
sob as ondas que gritam mais alto
o sussurrar do vento.

Na sumária distância, a retina regista pausas, letras,
frutos e raízes que a serenidade transporta,
porque a amizade bebe as suas águas,
no silêncio sagrado,
bálsamo luminoso que mitiga a dor,
em seus lagos perenes, em seus laços incólumes.

Sobre relógios aquáticos, flutua um rosto,
uma mulher, o seu nome é fábula,
o seu olhar, talhado nos versos da natureza,
paira nas florestas,
onde os pássaros cantam ainda a noite antiga.

No labor oculto, o destino tece, destece,
sob o olhar que escurece,
as recordações recolhem a água, o rosto,
o mundo, o seu sorriso,
e o olhar de Medeia aparece, impresso

no coração das folhas rubras.

Maria do Sameiro Barroso


-mikel arrazabalaga.

03 outubro, 2008

brandas águas bebi de olhos abrasados;
sepultei o pranto,
sepultei a súplica, o sopro, a música
e o mar…

todo o espaço é alvo, todo o céu
aguado.

mariagomes
30Set, 08
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01 outubro, 2008

IV Jornadas Aquilinianas


fotos de arquivo - Matilde Rosa Araújo e Aquilino Ribeiro

IV Jornadas Aquilinianas - 10 e 11 de Outubro de 2008

Solar do Vinho do Dão, Viseu

O Centro de Estudos Aquilino Ribeiro (CEAR)promove nos dias 10 e 11 de Outubro de 2008, no Solar do Vinho do Dão, junto ao Fontelo em Viseu, as IV Jornadas Aquilinianas
ERA UMA VEZ!... HISTÓRIAS DE ESCREVER E DE CONTAR - dedicadas à Literatura Infantil.


O dia 10 de Outubro, 6ª feira, está reservado às crianças!
O Solar do Vinho do Dão transforma-se numa casa de histórias com diversos contadores, merendinhas e oficinas criativas!


O dia 11, sábado, será dedicado aos adultos, com diversas comunicações sobre o mundo da Literatura Infantil, e em que faremos uma justa homenagem a Aquilino Ribeiro e a Matilde Rosa Araújo.

Matilde Rosa Araújo e o filho do escritor Aquilino Ribeiro, Eng. Aquilino Ribeiro Machado, também estarão presentes neste dia.



Sílvia Laureano Costa
(Centro de Estudos Aquilino Ribeiro)