11 novembro, 2008
10 novembro, 2008
11º .em contr'[m]ão - o carnaval em veneza
tentou identificar.se nos olhares das mulheres
com que se cruzou
não foi capaz
nunca foi capaz de jogar pelo seguro
sempre preferiu o jogo perigoso
à facilidade servida em bandeja
hoje
arrependia.se do baralhar de cartas
...... encontrou.se algures no trajecto da aventura e
foi inventando mundos
...... aos poucos
foi aprendendo a substituir a realidade que
não lhe servia e
o mundo foi.se tornando
cada vez mais pequeno
o coração deixou de segui.la e
tudo começou a soar a falso
.................. o jogo da arbitrária mentira
...... continuou a manipuladora do charme
com que ganhou projectos
sorrisos
abraços
ficou nua
e
riu.se
senhora da carta
guardou o ás de copas para a última jogada
havia aprendido
com os profissionais da vida
a jogá.la quando tudo e
todos menos esperassem
...... foi lançando gestos
palavras
sons
imagens que não eram suas
criando fantasias
deixando a realidade cada vez menos clara
nada
a prendia ao dia a dia
foram os seus projectos que levantaram casas
...... foi a importância do não ser
que a fez correr de cidade em cidade
de abraço em abraço
de vida em vida
a misturar
como certas
as amizades encontradas
os papéis começavam a inverter.se
...... foi difícil reaprender
o que lhe haviam imposto
como verdades absolutas
ao longo dos anos
tudo não passava dum imenso bluff
a sua vontade
foi o fruto
seco
de tudo e todos
o medo
a fantasia despida no dia a seguir ao carnaval
a máscara ruiu e
veneza regressou
.................. sereníssima
gabriela rocha martins.
09 novembro, 2008
as pousadas
pousadas
no calor no estio
no pesado manto agostino
entre verdes ou areias
recortadas
pousadas sós
ou acompanhadas
repousos de esforços
e caminhadas
enleios de luas
enamoradas
pousadas.
cristalinas, de mármore
ou dengosas
amplas, estiraçadas,
preguiçosas,
recobradas ao sol
ou virilosas
nas lonas, urbanas,
com sais, a meias,
rurais, plebeias
em gangas,
majestosas
onde os francos flancos da argila humana
adoçam o sal
perfilam rosas
pétalas ternas
as duas
— quando pousadas —
as duas pernas.
.
maria toscano.
"monumentos e outras obras públicas: TOP 12 + " in Portugalito. Palimage, 2002.
06 novembro, 2008
Sou um olho. Um olho mecânico. Eu, a máquina mostro-vos o mundo de um modo como só eu posso vejo. Liberto-me hoje e para sempre da imobilidade humana. Estou em constante movimento. Aproximo-me e afasto-me dos objectos. Rastejo debaixo deles. Movo-me colada à boca de um cavalo a correr. Caio e levanto-me juntamente com corpos que caem e se levantam. Isto sou eu, a máquina, manobrando entre movimentos caóticos, registando um movimento após o outro, nas combinações mais complexas.
Liberto dos limites de tempo e de espaço coordeno cada um e todos os pontos do Universo onde quer que eu queira que eles se encontrem. O meu caminho conduz à criação duma nova percepção do mundo. Assim explico de uma nova forma o mundo por vós ignorado"
Dziga Vertov *, realizador russo, 1923
Denis Arkadievitch Kaufman*
(Polônia - 1896 - União Soviética - 1954) Muito jovem ainda Vertov começa a escrever poemas e estuda música durante quatro anos. Com 19 anos começa a estudar medicina, na mesma época em que cria o "laboratório do ouvido" onde registra e monta ruídos de todo o tipo com um velho fonógrafo Pathéphone. É também nesse período que muda seu nome para DZIGA - palavra ucraniana que significa roda que gira sem cessar e VERTOV - do russo vertet que significa rodar, girar. Também se declara futurista, muito influenciado por Maiakovski.
05 novembro, 2008
a resignação vem com a cegueira dos sentidos
Foto de Augusto Mota
.
.
no dia em que me esqueça desse Maio
com o qual me conformei a ser da terra
desde onde me insurjo, casa térrea
e brasa,
donde me ergo
inclusivé,
quando o sei
no dia em que me não lembre jamais
do braseiro do braço a mim abraço
do conforto endiabrado em cintura
colo carmim ancas de suco. mel
virilha assim no dia
em que de vez
perca a memória dos líquidos tais
dos acres e dos outros leites
mansos
no dia em que talvez nem o artigo
iluda forças convexas e as de concha
no dia em que tudo seja banal
o cheiro da almofada, o pó da sala
a cinza com cigarros que recuso
o copo onde bebemos
a saudade
o lençol resguardando as apetências
e uma volta na chave que vou dar
nesse dia sem sombras
pois sem luz
banhado pela cegueira dos sentidos
asseguro-te:
podes, por fim, esperar
de mim
a resignação.
.
.
.
maria toscano,
Coimbra, 6 /Nov/2008
Que os dias prolonguem
A pernoitar
a fala das palavras
que os dias prolonguem
a flor da saudade
o plâncton nas galáxias
os pássaros de fósforo
anunciando o espírito dos risos
e se entrelacem para destruir o vazio
e o ar todo se possa bordar
de rosas na penumbra
pulsões nocturnas
relâmpagos líquidos
em seu fulgor
ao longo da estrada
se esconde esta árvore
possivelmente
ao nosso encontro
o lilás reluz
os caminhos do céu algures
onde as lágrimas abordam os rios
E nunca mais voltam.
Graça Magalhães, Novembro 2008
04 novembro, 2008
UM SÓ VERSO
Só de um verso, falo de um só verso, uma palavra
essa palavra anda dispersa e o verso anda à guarda
Só de uma palavra, creio numa só palavra para um verso
um verso de uma só palavra, a mais buscada
a que não cabe inteira numa mão aberta
a que corre por um nada e anda de luz a cantar o universo
a que murmura e se estende, a que voa e não se prende
uma só palavra, um só verso, uma palavra
a que é barco, sonho solto,rasgão de sol numa parede
a que deram a cor de azul
a que deram a cor da carne
a que é feita de àrduo mundo
eu a procuro nesta tarde
José Ribeiro Marto
02 novembro, 2008
Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009
Maria do Sameiro Barroso venceu a edição portuguesa do “Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009" com "Uma Ânfora no Horizonte" entre os 86 originais concorrentes.Este prémio, no valor de 2500 euros, instituído pela Câmara Municipal de Vila Real de St.º António, numa parceria com o Ayuntamiento de Punta Umbria e a colaboração de Sulscrito – Círculo Literário do Algarve, prevê ainda a publicação, em edição bilingue, da obra vencedora.
O júri do concurso recomendou ainda a publicação do original "Labirintos Cruciais"de Paulo Renato Cardoso.
Maria do Sameiro Barroso nasceu em Braga, em 1951. É licenciada em Filologia Germânica e em Medicina e Cirurgia, pela Universidade de Lisboa. Exerce a sua actividade profissional como médica, Especialista em Medicina Geral e Familiar. Fez a sua estreia literária em 1986, tendo sido incluída no Anuário de Poesia da Assírio & Alvim. Tem os seguintes livros de poesia publicados: O Rubro das Papoilas, Rósea Litania; Mnemósine; Meandros Translúcidos; Amantes da Neblina e Vindimas da Noite. Tem colaboração em antologias e em revistas literárias. A partir de 2001, a sua actividade alargou-se à tradução e ao ensaio, e, desde 2002, à investigação na área da História da Medicina.
Maria do Sameiro Barroso é ainda responsável pela organização das antologias Um Poema para Ramos Rosa e Um Poema para Agripina, recentemente publicados pela editora Labirinto.
Wanya - Escala em Orongo recebeu o Premio Juventude no FIBDA

É com enorme prazer que anunciamos o prémio que Wanya - Escala em Orongo recebeu ontem no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.
O Prémio Juventude foi recebido por Maria João Franco, viúva de Nelson Dias e artista plástica, que esteve em representação do mesmo e também de Augusto Mota, autor do texto, cujas palavras aqui deixamos:
"o valor do álbum está no valor do grande desenhador que foi o Nelson Dias, sendo o meu texto, apenas, o possível guião metafórico para a época de opressão que, então, se vivia e fico muitíssimo satisfeito por mais esta merecida distinção ao trabalho do artista, que vem na sequência de outras homenagens que, de vários quadrantes, recentemente, lhe têm vindo a ser feitas. " - Augusto Mota. Vejam [também] aqui a notícia .
01 novembro, 2008
ENCANTATÓRIA DO OSSO
[desenho e poema de Porfírio Al Brandão]











