12 dezembro, 2008

aos Poetas da III Bienal de Poesia de Silves......com saudade!

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agrada.me conceber a beleza e a ternura .serei capaz?
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Nas Vagas do Tempo

agradeço à Gi dos Pequenos Nadas
Suspensa dos pêndulos do tempo, vivo à velocidade
dos relâmpagos, flor alucinada, pousada entre os ventos.
Nas metamorfoses do silêncio, nas nervuras do céu,
penetro e habito, nos nervos do sílex pernoito,
nas giestas habito, nas flores amarelas,
nas ramagens aéreas, é que o meu cérebro se espraia
e o meu corpo refulge, se estende e dormita.

Trepanando a tépida imensidão, a urgência do sol circula,
em ondas verdes, em ondas brancas,
em substâncias fendidas, em areias esquecidas,
em palmeiras lunares, descobertas em paraísos distantes.

Entre os desertos e os oásis, o destino da água desenha,
nos remos de neblina, o lugar onde as palavras constroem
de novo a espiral de bruma, a chama, a sede,
o azul e os violinos.
Na salsugem marinha, no leito dos rios, nos limos,
nos cardos, habita o fogo, a ruína, a transparência.
No imenso ardor que guarda a febre e os murmúrios,
a vertigem de espuma desperta, nos casulos do nada,
a carícia exacta que flutuou, um dia,

no selo luminoso das vagas do tempo.

Maria do Sameiro Barroso,
in Revista Saudade, nº 10, Junho, Amarante, 2008, p. 45

Tania Alves - Funeral de um Lavrador ( Chico Buarque)

11 dezembro, 2008

(não são um fotopoema mas estas letrinhas entregam...

... um abraço cordial ao Augusto Mota


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era de ouro
o ansiado
tronco oculto.
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o desejado
de ouro
assim, bordado
à mão, de ouro, a rosa
resguardado
trono habitado
era
o esperado gesto irmão.

seiva do sendo

fêmea do ser

bordando em mãos.
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maria toscano, in " a queda da sombra " (inédito).
nos Setembros de 2006 e 2007.
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FOTOPOEMA

mago canto

in «para além das coisas», "Palimage Editores", Viseu,1998, p. 34
na foto: Animação de Rua, Parque dos Poetas, Oeiras, Julho de 2003

10 dezembro, 2008

há lembranças que matam




há lembranças que matam.
há bosques onde os amados vivem para sempre.

há um cutelo de água nas fontes
que separa a luz cega das lágrimas,
quando as palavras voam para muito longe.

há a noite
e os cães que dormem em cordas de sono,
em vogais de vento e abandono.

há barcos que deslizam no horizonte,
muito lentamente,
e as estrelas descem por dentro dos mastros
na noite.

há uma orquídea azul que se suicida
onde começa o teu nome.

há um relâmpago martirizado em meu peito de cambraia
que teima brotar laranjas de fogo.

há um peixe alucinado que canta
desmedidamente,
em um céu de cisternas e serpentes.

é dezembro. e os girassóis recolhem-se para dentro
de um rio vermelho
- atravessam meu peito de agonia e ouro -
rasgam lenços de sede em minha casa de Oriente

há sinos de sangue em molduras de sombra e vento
nos muros da luz.

o Sol ilumina um jardim oculto
que te transforma em fonte



maria azenha



há lembranças que matam - dito por maria azenha

09 dezembro, 2008

07 dezembro, 2008

FOTOPOEMA


in «Na memória dos pássaros», I parte, poema 3, "Palimage Editores", Viseu , 2006
foto: no meu jardim, ao amanhecer.

Os amigos.

Para todos os meus amigos.

Os amigos são pulmões de açúcar
ponto pérola de encanto
girassóis que nos acendem o sol
como interruptores de salvação

plantações africanas de algodão doce
que adormecem a paisagem das lágrimas

atravessam savanas devastadas
serpentinas de vento
desolação
na vaga recordação da cor que há
em cada sombra de tristeza.

É assim que tu és
entre todas as noites do planeta
a mais acesa quando as estrelas desenham
o caminho das palavras num avião de papel
branco como a farinha das pétalas
arrancadas a uma primavera
e com ele desenhas um búzio de som
que enfeitas no espaço com as mãos
onde me recolhes num abraço frágil
como a noite em que me encontro agora
mesmo quando é dia e o sol já se aclamou no horizonte.

Lembro-me de quando disseste o meu nome
como se pudesses acreditar
que eu era poeta
de palavras ideias e imagens
escondidas em cada folha de pele
atrás um mural de sorrisos inquietos
os deuses implacáveis prestavam-se a julgar-me
e tu salvaste-me com o olhar
e acreditaste no princípio do nome
na evocação das coisas proibidas
que eu partilhei como estilhaços de granada.

Lembro-me das tardes
em que esgrimimos as palavras do poema
e juntos tornamos menos só
a arte de dizer o crime com propriedade
sem medo incendiando a verdade.

Temos medo
das doenças dos amigos
como de fósforos na mão de uma criança
sem eles desistimos de acrescentar um rio
descaracterizamos todo o esqueleto
de imagens que são o nosso eu mais fundo

de aprender o que acontece
depois da nossa idade.

Deixamos de saber exactamento como acontecemos
sem palavras de infinito a ameaçar o puro inferno
dos dias que os pássaros transformam
no limiar da esperança.

Nesse lugar
voamos com os amigos
para dias que não queremos habitar
por um instante
onde quer que sejamos
não seremos tão sós
a subverter o infinito.

Graça Magalhães, Dezembro 2008
* Flores de Grevílea (Grevillea robusta) - foto de Augusto Mota

POESIA

As Pétalas Transparente
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Havia uma flor
Que cheirava bem
Linda como o Amor

E de manhãzinha
Dançava e cantava
Como uma bailarina

E ao meio-dia
Quando o Sol chegava
Ficava ali e iluminava
As suas lindas pétalas

As suas pétalas
De um perfume invulgar
Eram transparentes como o ar
Porque ao Luar não se viam

Eu gostava de ter esta flor
Que é linda como o Amor
E cheira bem

Mas só existe na imaginação
De alguém com o coração
Cheio de Amor!!!
Ana Nazaré Rasteiro - (13 anos)
.................A Flor Mais Alta do Mundo - José Saramago
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04 dezembro, 2008

3ª série . photoetrys temáticos//desconstruções



fotografias e ilustrações de vários autores,
desconstruções escritas e manipulações de gabriela rocha martins.
veja aqui as construções.

03 dezembro, 2008

AS UVAS DE LABÉRIA GALA


Foi hoje apresentado, pelas 18 horas, na Biblioteca José Saramago, do Instituto Politécnico
de Leiria, o livro de poesia de Orlando Cardoso «as uvas de Labéria Gala», obra
distinguida com o 1º Prémio do Concurso de Literatura (Categoria
de Poesia), organizado por este Instituto em 2007.
*
Nota introdutória do autor - Nos princípios do século XVI ainda existia no frontispício da primitiva igreja de Santo Estevão, em Leiria, uma lápide romana que dizia: "Lúcio Sulpício Claudiano fez à sua custa o funeral, deu lugar para a sepultura, e levantou esta estátua que lhe foi concedida por decreto dos decuriões de Colipo, a Labéria Gala, filha de Lúcio, flamínica de Évora e da província da Lusitânia". (Tradução de Silva Araújo).
*
6
acendias o fogo sagrado ao amanhecer
e sagrava-te os dedos do gesto ritual
sereno e fluido como a luz do sul
lembravas-te então de évora a branca
cidade onde nasceras e mulher feita
trazias a saudade infinda da claridade
*
23
o sol despontava nos vinhedos de colipo
os cachos doirados e escuros despertos
como se um milagre fosse da criação
a bênção súbita nas suaves colinas
que abraçam o rio e as suas águas
frescas modulando a terra e as penhas
*
Edição do Instituto Politécnico de Leiria, Dezembro de 2008.
Fotografias, capa e contracapa de Augusto Mota.

02 dezembro, 2008

queria que nascesses da lua a deslumbrar as janelas
dantes um poema ardia dentro de ti
como uma expressão cabendo descalça
alagava-me os lábios
queria também que nesta terça-feira dia 7 de Fevereiro
não houvesse sirena única que me dissesse
o mar bateu cem vezes em vezes por ti chamou
os pescadores foram à terra degolar a fome
porque na terra pai as alvas dilatam a memória


e agora a memória está outra vez a bater no mar
contra o silêncio das coisas obscuras.


mariagomes
Coimbra, 7 de Fevereiro de 2006

ouve as árvores

ouve as árvores

01 dezembro, 2008