17 dezembro, 2008
abre o meu coração
abre o meu coração
nele encontrarás o verde pulsar
da súplica clandestina dos versos que não disse
porque os escrevo em todas as manhãs bem cedo
nos espelhos
na justeza dos girassóis
que urgência trago aqui ?
que trajectória ?
que preciosíssimas ilhas?
o mundo é dos pássaros.
mariagomes
17dez, 2008
16 dezembro, 2008
salvíficos 1, 2, 3, 7

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sangrar o bezerro
salvar a alma, o ouro
sentimento instante
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gerar cada.
momento
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2
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simples, é, para a humilde
interior suave voz
silenciosa
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beijar o fogo.
é.
da alma alumiada
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dobrar a esquina da rua a lápis quebrada.
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da lata para a tela virtual.
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essa: o mosto.
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15 dezembro, 2008
14 dezembro, 2008
Partes
partes já colheste da manhã dois raios de sol
já contaste as gaivotas pousadas nas mesas
já sabes o indecifrável do seu voo
as manhãs rebeldes
as partes em que divides as tristezas
partes por entre os olhos que correm distâncias
moves as pálpebras inclinas a cabeça e esperas
agora sabes menos do vento em muitas tardes
quando giram vermelhas as esferas
sabes mais do frio sabes mais do vento
das gaivotas pousadas sobre as mesas
do tempo em que divides as coisas várias
e recontas ponto por ponto as tristezas
com um relógio frio pulsando o árido
olhas as tuas mãos trémulas e defesas
não s uportas a prisão do contar
nem os mundos vários que sopesas
José Ribeiro Marto
13 dezembro, 2008
12 dezembro, 2008
aos Poetas da III Bienal de Poesia de Silves......com saudade!
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agrada.me conceber a beleza e a ternura .serei capaz?
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Nas Vagas do Tempo
dos relâmpagos, flor alucinada, pousada entre os ventos.
Nas metamorfoses do silêncio, nas nervuras do céu,
penetro e habito, nos nervos do sílex pernoito,
nas giestas habito, nas flores amarelas,
nas ramagens aéreas, é que o meu cérebro se espraia
e o meu corpo refulge, se estende e dormita.
Trepanando a tépida imensidão, a urgência do sol circula,
em ondas verdes, em ondas brancas,
em substâncias fendidas, em areias esquecidas,
em palmeiras lunares, descobertas em paraísos distantes.
Entre os desertos e os oásis, o destino da água desenha,
nos remos de neblina, o lugar onde as palavras constroem
de novo a espiral de bruma, a chama, a sede,
o azul e os violinos.
Na salsugem marinha, no leito dos rios, nos limos,
nos cardos, habita o fogo, a ruína, a transparência.
No imenso ardor que guarda a febre e os murmúrios,
a vertigem de espuma desperta, nos casulos do nada,
a carícia exacta que flutuou, um dia,
no selo luminoso das vagas do tempo.
Maria do Sameiro Barroso,
in Revista Saudade, nº 10, Junho, Amarante, 2008, p. 45
11 dezembro, 2008
(não são um fotopoema mas estas letrinhas entregam...
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FOTOPOEMA
10 dezembro, 2008
há lembranças que matam
há lembranças que matam.
há bosques onde os amados vivem para sempre.
há um cutelo de água nas fontes
que separa a luz cega das lágrimas,
quando as palavras voam para muito longe.
há a noite
e os cães que dormem em cordas de sono,
em vogais de vento e abandono.
há barcos que deslizam no horizonte,
muito lentamente,
e as estrelas descem por dentro dos mastros
na noite.
há uma orquídea azul que se suicida
onde começa o teu nome.
há um relâmpago martirizado em meu peito de cambraia
que teima brotar laranjas de fogo.
há um peixe alucinado que canta
desmedidamente,
em um céu de cisternas e serpentes.
é dezembro. e os girassóis recolhem-se para dentro
de um rio vermelho
- atravessam meu peito de agonia e ouro -
rasgam lenços de sede em minha casa de Oriente
há sinos de sangue em molduras de sombra e vento
nos muros da luz.
o Sol ilumina um jardim oculto
que te transforma em fonte
maria azenha




