24 janeiro, 2009

O Mar Atinge-nos em CD



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  • “O Mar Atinge-nos” é a voz urbana do mar, eco das grandes ausências na geografia dos náufragos, em cidades de betão.
    É a viagem das guitarras fazendo-se à cerimónia da voz, a palavra na memória da poesia lusitana.


    Maria Azenha nasceu em Coimbra .
    Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra .
    Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa.
    Exerceu actividade docente na Escola de Ensino Artístico António Arroio.
    Escritora. Membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE) .


Já disponível em:

(clicar)

omaratinge.nos@gmail.com

FNAC - Maria Azenha

encomendas@metrosom.web.pt




(colocado por maria costa)

22 janeiro, 2009

AVE-PÂNICA

Ave-sentinela
*
Augusto Mota - «Ave-Pânica», 1960, desenho a tinta da china, 30 x 49 cm.
(fundo obtido com café e tinta-da-china, projectados com spray soprado)
*
A silhueta pânica desta ave-sentinela vigia, intimidante, um horizonte agressivo, mas, qual pomba redentora, um dia nos elevará, em suas garras circenses, deste ambiente concentracionário em que sentimos definhar o corpo da imaginação!...
*
Augusto Mota, 22 Janeiro 2009

22 de Janeiro de 2009


sei que o Almirante se vai zangar comigo por ter retirado as legendas ao slide.show ,mas hoje ,neste dia muito especial ,o enfoque vai para o trabalho que desenvolveu na selecção e composição gráfica, cujo resultado é esta pequena maravilha que editou
parabéns Almirante!

gabriela r martins

a filha do sol

criança3


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criança 1

19 janeiro, 2009

condição

Augusto Mota - «Reabilitando a máquina de sombras»
Pintura a guache e tinta da china, 38,5 x 32 cm,1960.

deixemos no alguidar das mãos as palavras
nada é possível escrever
o espaço é uma grande máquina de sombras e
o poema uma miragem de letras
não sei o que é estar fora de ti
não posso escrever os meus gritos
no ofício cantante das magnólias
não escrevo luz

imagino - te um barco de diferentes maneiras e
caímos do alto de uma montanha

entrego todos os beijos ao campo quântico



maria azenha


18 janeiro, 2009

o vazio





assumo o vazio de um texto
digno de génios

















fotografias de rattus.

17 janeiro, 2009

Declaro-te um rio

Relvado do jardim protegido do granizo pela copa de uma
conífera ornamental do género Chamaecyparis.
Foto: Augusto Mota

Esta é a neve maior
e eu chamo.
Declaro te
pássaro que me invade
como relâmpago
desarrumo estrelas nos olhos
onde flutuam sais de fogo,
como quem vê passar
um êxtase de silêncio
um traço de pele
unindo as mãos ao corpo
a boca ao interior dos lábios
o céu dentro de um vestido
flutuam indícios sobre o peito
desarma-se a tremura
nessa forma sublime
Um rio
Intensíssimo de bátegas
onde tudo acontece
fitas coloridas
vermelho ardente
o fascínio da pedra
onde se grita
um ponto de luz.

Graça Magalhães

15 janeiro, 2009

poesia visual . fractais



fotografias de autores não identificados
edição de gabriela rocha martins

ode a Fernando Pessoa



Tu que tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal.
De verdade e de feito só não foste tu.
A Portugal, a voz vem-lhe sempre
depois da idade
e tu quiseste aceitar-lhe a voz com a idade
e aqui erraste tu,
não a tua voz de Portugal
não a idade que já era hoje.
Tu foste apenas o teu sonho de ser a voz
de Portugal
o teu sonho de ti
o teu sonho dos portugueses
só sonhado por ti.
Tu sonhaste a continuação do sonho português
somados todos os séculos de Portugal
somados todos os vários sonhos portugueses
tu sonhaste a decifração final
do sonho de Portugal
e a vida que desperta depois do sonho
a vida que o sonho predisse.
Tu tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Tu ficaste para depois
e Portugal também.
Tu levaste empunhada no teu sonho
a bandeira de Portugal
vertical
sem pender pra nenhum lado
o que não é dado pra portugueses.
Ninguém viu em ti, Fernando,
senão a pessoa que leva uma bandeira
e sem a justificação de ter havido festa.
Nesta nossa querida terra onde ninguém
a ninguém admira
e todos a determinados idolatram.
Foi substituído Portugal pelo nacionalismo
que é a maneira de acabar com os partidos
e de ficar talvez partido de Portugal!
mas não ainda talvez Portugal!



Portugal fica para depois
e os portugueses também
como tu.


José de Almada Negreiros
(ilha de s.Tomé, 1893-1970)

14 janeiro, 2009

12 janeiro, 2009

Dóis-me

Buganvília (Bougainvillea spectabilis) - foto de Augusto Mota
.
dóis-me quando soluças um mar vago negro de sussuro
um sol de buganvílias descendo num beiral ou muro
um canto lento piado dos pássaros de companhia
não vem pela luz conhecer as horas cantar o dia

dóis-me na hora em que passa o metropolitano
com gente pendurada nos sacos a caminho das repartições
com um sorriso esquecido ou morto nos bolsos
com um canto de ouro entre os dedos
e uma navalha de linho acesa num jeito de procissões


dóis-me por segundos muitos minutos muitas horas
dóis-me quando murmuras cobras gastos ao tempo ´
e por dentro um lobo uiva lamentos e faminto
estuda mapas corre ventos analisa usurpações

dois-me estás só
és sensível ao privilégio de deuses e senhores
sorris pelos teus direitos que vivem esquecidos
entregas de riso falho uns cuidados de penhores
sabes que um silêncio de morte te ameaça entre os vivos

e o que é vivo é pouco
talvez as pombas da cidade irradiando asas brilho
talvez uma mulher sonolenta e de voz áspera
te assista no cômputo da idade

dóis –me pelo clarão de luz à noite na cidade
pelas sombras dos monumentos pelo eco dos passos de caminho
por um comboio malquisto repetindo percursos
alguém escultando bolsos haveres menores gestos inconclusos

a cidade cresce com a dor que te aquece
sabe-se vento podre rio de lixo combinação de números
galgos sinais de luxo avareza sombria e de porte vazio

dóis-me não conheces as rotas da cidade o seu peso de metal e ferro
as árvores de rios verdes incendiadas de gelo
augurando primaveras e tu vais com o teu sorriso de peixe na água
os teus olhos a coberto de umas velas

o tempo é uma miríade de hieróglifos
pousados no teu rosto indecifrável sem anjos de salvação
sem uma queda de água de uma buganvília florescendo
nas mãos por que é Setembro
um mês de sépia no deserto dos teus cuidado

JOSÉ RIBEIRO MARTO

O Ovo e a Galinha de Clarice Lispector

11 janeiro, 2009

é por isso que estamos todos

Fungo poliporáceo (Piptoporus betulinus) - foto Augusto Mota

e se fez ao mar das eleições com seus barquitos
barqueiros barcarolas e malditos
em dias de recessão e a pátria mínima
não obstante o magalhães p`ros pequenitos

- ó petiz! passa-me o rato,
quero ver a chuva cair dentro de ti!

a cidade não é mais para ninguém
a não ser para o parlavento
não sou hórus nem ísis nem osíris
não combinei nada com o BES
nem com cristo nem com o cezariny
nem lanço redes de pesca ao arco íris

neva de alto a baixo no meu país
está muito frio no coração do Tejo

só sei que nada sei disseram-te
e é por isso que estamos todos
com uma rosa morta diante dos olhos



maria azenha



07 janeiro, 2009

TEXTO TRANSVERSAL

textos transversais 73

FOTOPOEMA

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Poema e foto: António Simões / Arranjo gráfico: Augusto Mota