11 fevereiro, 2009

Perseguem-me as dúvidas.

*
Obsessão (1961) - desenho de Agusto Mota, 17,5 x 28 cm.
Guache e tinta-da-china.

Vi o interior
do fogo prometido.

Perseguem-me as dúvidas.
Não percebo a luz
nem o esplendor a que pertences
a obsessão que alastra surpreende
cada momento de agonia
e de prazer que me é dado
nesta inocência perdida
de tocar a pele
perceber que a posse não se nomeia
e que mais sublime é o beijo
que se esconde na incerteza
de um pano onde esteja à nossa espera
o chão do paraíso
a construção de qualquer lugar possível
dentro de um quadrado branco.

Graça Magalhães, Fevereiro 2009

09 fevereiro, 2009

deliberada mente

-steven kenny.

olho o vagabundo do outro lado da rua
tenho pena
não dele
mas de mim
sentado no chão tem o absoluto do nada e
eu?
reservo.me na serventia de tudo

olho a cigana do outro lado do passeio
invejo as palavras com que tece
nas mãos
o futuro
ilusões e
eu?
presa ao presente em que o nada se compraz
no absurdo das intenções

a cabeça reserva.me a dúvida
o cansaço das estórias recriadas
repisadas
ninguém tem o direito de ser
míseros ímpios feitos em deuses

senhora
o vinho corre!
deixá.lo correr
alguém pergunta
porquê?

o bêbado bebe
na solidão de si
se for o caso
ou talvez não e
porque não?

o vagabundo olha.me
estendo a mão a que a cigana revestiu de cacos
deixo.lhe um sorriso
preso à imensidão de um olhar
profundo
que não ouso

não sei colar os cacos que a cigana
forjou

o não é a palavra proscrita
no sim de uma vida
sem desígnio de viver
perseguem.me os fantasmas da escrita
a maledicência transfere o golpe mortal
choro o animal ferido
rio.me do pontapé dado a um irmão
de raça
alimento.me de ossos e
peles
como uma predadora imersa
em ladaínhas de bem querer

não ouso

prefiro o salto do vagabundo que
me estende a mão para segui.lo
ao encontro oculto da cigana
sou
sapato
gato
rato

a ínfima parcela de um choro
que não choro
de uma gargalhada
que não dou

coloco a cabeça entre as mãos
aperto.a
não me detenho em nada
não ouço nada

prefiro a algazarra do demónio
onde encontro o absurdo do não ser
em perfeição

não magoa nem dói

matei a alegria
matei a cigana
matei o vagabundo
não percebi que ao fazê.lo
me matava a mim
fiquei reduzida ao nada
in feliz
no espaço que circunda
o estar no meio do conflito

deixem.me entregue às minhas loucas
fantasias onde bebo
( e porque não? )
os néctares que me aprouver
deixem.me
ser
a ausência
a verdade
falsa do trio que desenhei
o vagabundo
a cigana e eu
três marginais no destino

estou tão cansada de ser

valorizo hoje
amanhã destruo
a sobreposição de valores
de comportamentos
de atitudes

como manda a santa madre igreja
os anjos
os arcanjos
os santos
os demónios
el.rei e
senhor

sou muito bem comportada
respeito a cor
o grito
o silêncio

o absurdo
a redundância
tudo começa a fazer sentido

ausento.me em cansaço

olho o outro lado da rua
não vejo o vagabundo
terei sonhado?
a cigana sumiu
terei enfabulado?
não me revejo
estarei acordada?

é necessário que alguém vigie

os extra.terrestres acabam de ocupar
o centro da avenida
têm olhos redondos
nariz redondo
orelhas redondas
barriga redonda
a boca
é afiada
ah! têm duas línguas
bífidas
como as serpentes que procuram a estrada
cabeça erguida na morte
as cadeiras
aprumadas
continuam à espera que o espectáculo comece
os actores não comparecem

[ alguém inverteu os papéis ]

apagam.se os projectores

deliberada
.................mente



-gabriela rocha martins.

08 fevereiro, 2009

DEIXEI A SEDE NA PLANÍCIE

Deixei a sede na planície,
Dormi sob o véu dos pássaros,
Tão rés às estrelas,
Tão diminuta era a tarde,
Muito longe das estradas.

Meu coração vibrou de ouro,
Sementes dos dias,
O tempo as guarde.

Brota agora um chão
de passos,
Seja o que fui irmão dos pássaros.

Deixei a sede na planície
Um pulso ou mão de água;
Uma água fértil,
Ao cuidado de uma lágrima,
de olhos vazos
Escrevi-me no horizonte.

Hoje quando me dizem antes _
Eu sopro o esplendor de um dia aceso
ao uivo dos lobos fico preso_
num canto misterioso de nascer.

José Ribeiro Marto

05 fevereiro, 2009

Ontem e hoje, Mãe!

Photobucket

Torre Mecânica - desenho de Augusto Mota, 1961, 31x49 cm, anilinas e caneta flo-master.


Mãe,
ainda que na Árvore da Vida habites,
sinto a ausência dos teus beijos.
O nosso amor é um vaso de leite derramando branco
nas nuvens.
As células do nosso corpo,
pequeníssimas estrelas,
comungam todas da mesma revolução.
Mãe,
a comunhão é um estado de autoconhecimento.
e a matéria veste-se para o Inconsciente:
primeiro, sono.
depois, sonho.
por fim,
rendição.

Tu és Deus, e eu também.
Quando te chamo, avanças
quatro,
cinco,
seis mil anos.
Quando entramos em sintonia com os astros
sentimos a alegria do comunismo
das árvores em tuas mãos.

A Vida é um hiper-estado de consciências.
Os crimes são anti-humanos.
As formigas, radiogaláxias que estabelecem comunicações
através das suas pequenas antenas.
Os poetas fazem parte desta sociedade de partículas.

Mãe,
as últimas ondas de luz do universo
transformaram-se em humildes campos terrestres.


Mãe,
não consigo dividir-me por zero.
Tudo está em expansão, quero dizer:
cada vez mais próximo dum ponto central.
Cada centro do espaço
é um novo projecto.
E a luz, a harpa de Thales,
que um dia disse: " Tudo está cheio de Deus".

Eu digo, deus ou deuses
porque as nossas almas são partículas enraizadas nos céus.
Sabes como os asteróides representam a mesma dança – são eles isotrópicos.
Cantam a Incriação.
E eu entro no câmbio,
- colho as sementes do espaço que não mais
existem no zero.

Ontem,
tornei-me photograficamente um quantum.

Alguém disse: " Vieste do Improvável e vais para o Improvável".
Movimentamo-nos em campos de energia. Dançamos.
Deles brota a sagrada estrela da Harmonia.

Mãe,
dizem os índios:
"Se temos um coração bom quando dançamos,
então chove."


maria azenha
do CD "O mar atinge-nos" , 2009, Janeiro

31 janeiro, 2009

A FLOR BRANCA DO DIA

a flor branca do dia
*
Por este Alentejo, o tradicional mar ondulante das searas está, agora, em plena maré baixa, pelo que não foi difícil à minha larga experiência de Contra-almirante, usando um sextante apropriado à situação, descobrir, no negrume de uma noite tempestuosa, este astro floral que me fez rumar, sem detença, para o dia 1 de Fevereiro, a fim de o assinalar com um fraterno e poético abraço!
António Simões

O JOGO DA VIDA

Camélia - fotografia e manipulação cromática de Augusto Mota.
Excertos do livro .delete.me. de Gabriela Rocha Martins.
*
Ainda bem que estes dados do jogo da vida estão viciados com as palavras do poeta: sendo todas as faces idênticas, ficamos sempre a ganhar! Seja para festejar o aniversário de uma amiga, seja para lhe desejar saúde e força contra os ventos adversos, que, tantas vezes, a querem impedir de levar por diante todos os projectos que a sua irrequieta imaginação lhe vai constantemente propondo, como reptos inadiáveis.

Um grande abraço de um Almirante que, quase perdido entre as vagas alterosas deste mar bravio do nosso «Litoral a Oeste», ainda conseguiu achar o rumo certo e registar no livro de bordo, para a posteridade, estas palavras um pouco tremidas pelo balancear da nau, mas interiormente firmes e sentidas! Augusto Mota

«Litoral a Oeste» é o titulo de um livro de contos de Loureiro Botas, onde o autor denuncia a vida difícil das gentes da Praia da Vieira de Leiria. Foi editado em 1940, em Lisboa, pela Portugália, sendo a 2ª edição de 1944, da mesma editora. Recentemente a Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria, fez uma edição conjunta de «Litoral a Oeste» e «Frente ao Mar» (1944), com prefácio do Dr. Mário Soares. Tais edições antigas já só era possível encontrá-las em alfarrabistas.


PARABÉNS !

ao amanhecer os dias chegam atrasados...








... na noite balançando o nascimento
do poema.


gabriela rocha martins - in poem'arte
composição e tratamento gráfico das fotos - fernanda s.m.


Photobucket

JörgD.


em que tempo
em que lamento
em que aurora

re
adormece

o vento?

*


gabriela rocha martins

*
Parabéns!



(postado por Maria Costa)


ciclo virtuoso da vida

.
.
.
1. do rio depois das chuvas
.
.
.

brioso, bojudo, orgulhoso
da rapina de misérias
e relíquias
.
.
.

inteiro, intenso, farto, imenso
no desaguante destino
para a foz
.
.
.

brutal, incessante, incansável
prenho do perecível.
a caminho. virgem.
.
.
.

circular fecundação do oceano
.
.
.

refazer nascentes.
fazer-se em fonte.
.
.
.
.

maria toscano
em Coimbra, no Parque Verde, a 29 Janeiro/2009
( in sulmoura )

30 janeiro, 2009

AO OUVIR O MAR ATINGE-NOS

A MARIA AZENHA

Há pássaros pousados nos teus poemas
bandos sagrados são nua semente
florescem como dardos quando voam
Ouvem murmurar sem haver gente

Não estranho os rios de água
Correndo véus de palavras
Não estranho os pássaros
Não voam sozinhos na tua voz
Estranho-me eu e sou de horas
As horas de ouvir as horas sós

Voo contigo nesse pulsar do tempo
Perco-me e ausento-me da morte
Como um rio não vendido vivamente
Onde não assoma outro barco
Só brota uma guitarra levemente

Perdoa se um verso segue uma rima
Eu sigo só sei que estás no mar
E dás da água milenar
O assombro vivo numa pauta de escutar


JOSÉ RIBEIRO MARTO

um só dia para não escrever poesia



do projecto free poetry
nada se sabe
da cândida flor quase a cair do tecto
vistas as coisas por cima
só me lembro de quinta feira à noite com o sol a pino

não sei o que é escrever
não sei o que é um relógio
não sei o que é freeport
escrevo com os ponteiros dos olhos
apodrecidos e tristes

se pensam que isto é um poema
e que este poema com pontas de vidro
tem chapéus de chuva e luvas
enganam-se
este poema não é um poema
porque um poema não é um rebanho
se fosse um rebanho chamava-se Caeiro
e para que servem tantos pastores e tantas ovelhas
se caem tantas igrejas a torto e a direito?

lembrem-se do Dantas que cheirava mal
e dos Silvas e dos Pimbas e dos Sócras
( eu não disse Só-cra-tes estou em hibernação!)
e dos que dão cambalhotas para receber luvas
porque este ano fez muito frio

não há dúvida que uma luva combina mal com Pessoa
que escrevia ao luar com dez dedos
com a melancolia do chapéu preto
que lhe cobria os óculos
imaginem duas nada mais deprimente
às vezes levanto-me do chão porque me deram um soco

lembrem-se do Dantas que cheirava mal
e dos Silvas e dos Pimbas e dos Sócras
nós lidamos com eles
tão pequenos tão vias tão auto estradas
tão verdes
tudo isto como se eu fosse uma lata de lixo
nunca me tragam um poema servido com luvas

está assim criado o dia para não escrever poesia
hoje trinta de Janeiro de dois mil e nove


maria azenha

PRAISE SONG FOR THE DAY
*
Poem for Barack Obama's Presidential Inauguration

Each day we go about our business,
walking past each other, catching each other's
eyes or not, about to speak or speaking.

All about us is noise. All about us is
noise and bramble, thorn and din, each
one of our ancestors on our tongues.

Someone is stitching up a hem, darning
a hole in a uniform, patching a tire,
repairing the things in need of repair.

Someone is trying to make music somewhere,
with a pair of wooden spoons on an oil drum,
with cello, boom box, harmonica, voice.

A woman and her son wait for the bus.
A farmer considers the changing sky.
A teacher says, Take out your pencils. Begin.

We encounter each other in words, words
spiny or smooth, whispered or declaimed,
words to consider, reconsider.

We cross dirt roads and highways that mark
the will of some one and then others, who said
I need to see what's on the other side.

I know there's something better down the road.
We need to find a place where we are safe.
We walk into that which we cannot yet see.

Say it plain: that many have died for this day.
Sing the names of the dead who brought us here,
who laid the train tracks, raised the bridges,

picked the cotton and the lettuce, built
brick by brick the glittering edifices
they would then keep clean and work inside of.

Praise song for struggle, praise song for the day.
Praise song for every hand-lettered sign,
the figuring-it-out at kitchen tables.

Some live by love thy neighbor as thyself,
others by first do no harm or take no more
than you need. What if the mightiest word is love?

Love beyond marital, filial, national,
love that casts a widening pool of light,
love with no need to pre-empt grievance.

In today's sharp sparkle, this winter air,
any thing can be made, any sentence begun.
On the brink, on the brim, on the cusp,

praise song for walking forward in that light.
*
Elizabeth Alexander
*
Elizabeth Alexander
*
CANTO DE LOUVOR AO DIA
*
na tomada de posse do Presidente Barack Obama

Andamos todos os dias a tratar das nossas vidas,
cruzamo-nos uns com os outros, trocando ou não
olhares, quase a falarmos ou falando mesmo.

Há barulho à nossa volta. Em todo o lado há barulho
e plantas espinhosas, espinhos e ruídos insuportáveis,
os nossos antepassados presentes em nossas línguas.

Alguém arranja uma bainha, remenda
um buraco num uniforme, remenda um pneu,
arranja as coisas que precisam ser arranjadas.

Alguém tenta algures fazer música,
com um par de colheres de madeira num bidão de óleo,
com um violoncelo, caixa de ressonância, gaita de beiços, voz.

Uma mulher e seu filho estão à espera do autocarro.
Um fazendeiro observa o céu que anuncia mudança.
Um professor diz, Peguem nos vossos lápis. Comecem a trabalhar.

Encontramo-nos uns aos outros nas palavras, palavras
cobertas de espinhos, ou macias, segredadas ou declamadas,
palavras para considerar ou reconsiderar.

Atravessamos estradas poeirentas e auto-estradas que atestam
a vontade de alguém e de quaisquer outros que disseram,
Tenho de ver o que está do outro lado.

Sei que há qualquer coisa melhor lá mais adiante.
Precisamos de encontrar um lugar onde nos sintamos seguros.
Caminhamos para algo que ainda não conseguimos ver.

Digamos simplesmente: muitos deram a vida por este dia.
Cantai os nomes dos mortos que nos trouxeram até aqui,
os que colocaram linhas de caminho de ferro, ergueram pontes,

apanharam algodão e alface, construíram
tijolo a tijolo os edifícios reluzentes
que eles próprios manteriam limpos e onde trabalhariam.

Canto de louvor à luta, canto de louvor ao dia,
Canto de louvor a cada nota escrita à mão ,
imaginando-a sobre as mesas das cozinhas.

Alguns vivem pelo ama teu próximo como a ti mesmo, outros
pelo não faças mal a ninguém ou
não queiras mais do que
precisas
. Como não há-de ser assim, se o amor é a mais poderosa das palavras?

Amor para além do conjugal, filial, patriótico,
amor donde a luz jorra e alastra,
amor que não consente agravos antecipados.

Na nítida cintilação deste dia, neste ar de Inverno,
qualquer coisa pode ser feita, qualquer frase ser iniciada.
Mesmo perto, mesmo à beira, mesmo no ponto de viragem,

canto de louvor ao caminharmos em frente envoltos nessa luz.


Elizabeth Alexander


Tradução de António Simões, Janeiro 25, 2009

Elizabeth Alexander, foi convidada por Barack Obama para escrever o poema habitualmente lido nos últimos tempos na tomada de posse. Nasceu
em 1962, em Harlem, Nova Iorque, e cresceu em Washington, D.C.. A sua colectânea de versos mais recente foi finalista do Pulitzer Prize.

27 janeiro, 2009

26 janeiro, 2009

Os Dias Do Amor






Os dias do Amor
Um poema para cada dia do ano
365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares

Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho

N.º de páginas: 436
Editora: Ministério dos Livros

“Porque por amor enlouquecem os amantes, por amor se suicidam e matam (...), por amor o sacrifício, a entrega mística e a obstinação carnal, ou a entrega da carne e a obstinação mística, por amor os duelos reparados pela conciliação, por amor os territórios transfronteiriços, a abolição das fronteiras, o fim das dicotomias, por amor a paixão, por amor a morte, tudo isso num poema.”
Henrique Manuel Bento Fialho
(do Prefácio)

A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m.Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.

Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais:
Porto: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m
Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas
Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas
Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m



Lista dos autores que celebram o Amor nesta antologia (ordem alfabética):


Aaro Hellaakoski (Finlândia)
Adalberto Alves (Portugal)
Ady Endre (Hungria)
Affonso Romano de Sant'Anna (Brasil)
Agripina Costa Marques (Portugal)
Albano Martins (Portugal)
Albert Samain (França)
Alberto Augusto Miranda (Portugal)
Alberto Caeiro (Portugal)
Aleilton Fonseca (Brasil)
Alejandra Pizarnik (Argentina)
Alexandra Gil (Portugal)
Alexandra Rodrigues Malheiro (Portugal)
Alexandre Herculano (Portugal)
Alexandre Nave (Portugal)
Alexei Bueno (Brasil)
Alfonso Álvarez de Villasandino (Castela)
Alfredo Carvalhais (Portugal)
Alice Vieira (Portugal)
Almeida Garrett (Portugal)
Al-Mu’tamid (Alandalus)
Alphonsus de Guimaraens (Brasil)
Álvares de Azevedo (Brasil)
Álvaro de Campos (Portugal)
Amadeu Baptista (Portugal)
Amélia Vieira (Portugal)
Américo Teixeira Moreira (Portugal)
Amy Lowell (EUA)
Ana de Sousa (Portugal)
Ana Francisco (Portugal)
Ana Hatherly (Portugal)
Ana Luísa Amaral (Portugal)
Ana Marques Gastão (Portugal)
Ana Paula Tavares (Angola)
Ana Salomé (Portugal)
Ana Viana (Portugal)
Andrej Morsztyn (Polónia)
Andrew Marvell (Reino Unido)
Anne Bradstreet (Reino Unido)
Anónimo (Índia)
Anónimo (Portugal)
Anónimo (Portugal)
Antero de Quental (Portugal)
António Barbosa Bacelar (Portugal)
António Cabrita (Portugal)
António Dinis da Cruz (Portugal)
António Feijó (Portugal)
António Feliciano de Castilho (Portugal)
António Ferra (Portugal)
António Ferreira (Portugal)
António José Queirós (Portugal)
António Ladeira (Portugal)
António Nobre (Portugal)
António Osório (Portugal)
António Patrício (Portugal)
António Ramos Rosa (Portugal)
António Salvado (Portugal)
António Sardinha (Portugal)
Armando Silva Carvalho (Portugal)
Arthur Rimbaud (França)
Augusto Gil (Portugal)
Aurelino Costa (Portugal)
Bai Juyi (China)
Balassi Bálint (Hungria)
Bashô (Japão)
Beatriz Barroso (Portugal)
Ben Jonson (Reino Unido)
Bernardete Costa (Portugal)
Bernardim Ribeiro (Portugal)
Bernardino Lopes (Brasil)
Bernardo de Passos (Portugal)
Bíon (Grécia)
Bocage (Portugal)
Caetano de Costa Alegre (São Tomé)
Camilo Castelo Branco (Portugal)
Camilo Mota (Brasil)
Camilo Pessanha (Portugal)
Campos d’Oliveira (Moçambique)
Campos Monteiro (Portugal)
Carlos César Pacheco (Portugal)
Carlos Garcia de Castro (Portugal)
Carlos Machado (Brasil)
Carlos Vaz (Portugal)
Casimiro de Abreu (Brasil)
Casimiro de Brito (Portugal)
Castro Alves (Brasil)
Catarina de Lencastre (Portugal)
Cesário Verde (Portugal)
Christina Georgina Rossetti (Reino Unido)
Christopher Marlowe (Reino Unido)
Claudio Daniel (Brasil)
Conde do Vimioso (Portugal)
Cristina Maria da Costa (Portugal)
Cristóvão Falcão (Portugal)
Cruz e Sousa (Brasil)
Csokonai Vitéz Mihály (Hungria)
D. Afonso Sanches (Portugal)
D. Dinis (Portugal)
D. Francisco Manuel de Melo (Portugal)
D. Sancho I (Portugal)
Dama Kasa (Japão)
Dama Otomo no Sakanoe (Japão)
Daniel Camacho (Portugal)
Daniel Faria (Portugal)
Daniel Gonçalves (Portugal)
Daniel Maia-Pinto Rodrigues (Portugal)
Dante Alighieri (Florença)
Décimo Magno Ausónio (Gália)
Delfim Guimarães (Portugal)
Diego Armés (Portugal)
Diogo Bernardes (Portugal)
Diogo Brandão (Portugal)
Domingos dos Reis Quita (Portugal)
Donizete Galvão (Brasil)
E. M. de Melo e Castro (Portugal)
Edgar Allan Poe (EUA)
Edimilson de Almeida Pereira (Brasil)
Edith Goel (Israel)
Edith Södergran (Finlândia)
Edmund Spenser (Reino Unido)
Eduarda Chiote (Portugal)
Eduardo M. Raposo (Portugal)
Eduíno de Jesus (Portugal)
Eeva Kilpi (Finlândia)
Egito Gonçalves (Portugal)
Emily Dickinson (EUA)
Ésio Macedo Ribeiro (Brasil)
Eugénio Tavares (Cabo Verde)
Eunice Arruda (Brasil)
Fernando Aguiar (Portugal)
Fernando Cabrita (Portugal)
Fernando de Castro Branco (Portugal)
Fernando Esteves Pinto (Portugal)
Fernando Fábio Fiorese Furtado (Brasil)
Fernando Grade (Portugal)
Fernando Pessoa (Portugal)
Fernando Pinto do Amaral (Portugal)
Fernando Pinto Ribeiro (Portugal)
Fernando Ribeiro (Portugal)
Fiama Hasse Pais Brandão (Portugal)
Filinto Elísio (Portugal)
Firmino Mendes (Portugal)
Florbela Espanca (Portugal)
Francesco Petrarca (Toscânia)
Francisco de Quevedo (Espanha)
Francisco de Vasconcelos (Portugal)
Francisco José Viegas (Portugal)
Francisco Rodrigues Lobo (Portugal)
Frederico Barbosa (Brasil)
Frederico Hartley (Portugal)
Friedrich Gottlieb Klopstock (Alemanha)
Friedrich Hölderlin (Alemanha)
Fugiwara no Toshiyuki (Japão)
Fujiwara no Orikase (Japão)
Gabriela Rocha Martins (Portugal)
Gaio Valério Catulo (Roma)
Gastão Cruz (Portugal)
George Herbert (Reino Unido)
Geraldo Reis (Brasil)
Gerson Valle (Brasil)
Giacomo da Lentino (Sicília)
Gil Vicente (Portugal)
Golgona Anghel (Roménia)
Gomes Leal (Portugal)
Gonçalo Salvado (Portugal)
Gonçalves Crespo (Brasil)
Gonçalves Dias (Brasil)
Graça Magalhães (Portugal)
Gregório de Matos (Brasil)
Guerra Junqueiro (Portugal)
Guilherme Braga (Portugal)
Guilherme de Faria (Portugal)
Guillaume Apollinaire (Itália)
Hannes Pétursson (Islândia)
Henrique Lopes de Mendonça (Portugal)
Henrique Manuel Bento Fialho (Portugal)
Iacyr Anderson Freitas (Brasil)
Ibn ‘Ammar (Alandalus)
Ibn ‘Arabi (Alandalus)
Ibn Hazm (Alandalus)
Ibn Safar Al-Marini (Alandalus)
Ibn Zaydûn (Alandalus)
Imperatriz Yamatohima (Japão)
Inês Lourenço (Portugal)
Inma Luna (Espanha)
Isabel Cristina Pires (Portugal)
Isabel Mendes Ferreira (Portugal)
Ivo Barroso (Brasil)
Ivo Machado (Portugal)
Izumi-Shikibu (Japão)
Janus Pannonius (Hungria)
Jerónimo Baía (Portugal)
Joana da Gama (Portugal)
Joana Roque Lino (Portugal)
Joana Serrado (Portugal)
João Airas (Galiza)
João de Deus (Portugal)
João de Lemos (Portugal)
João Garção (Portugal)
João Lobeira (Portugal)
João Lúcio (Portugal)
João Manuel Ribeiro (Portugal)
João Penha (Portugal)
João Ricardo Lopes (Portugal)
João Rico (Portugal)
João Roiz de Castelo Branco (Portugal)
João Rui de Sousa (Portugal)
Joaquim Alves (Portugal)
Joaquim Cardoso Dias (Portugal)
Joaquim Cordeiro da Mata (Angola)
Joaquim Evónio (Portugal)
John Clare (Reino Unido)
John Donne (Reino Unido)
Jorge Casimiro (Portugal)
Jorge Reis-Sá (Portugal)
Jorge Sousa Braga (Portugal)
Jorge Velhote (Portugal)
José Agostinho Baptista (Portugal)
José Alberto Mar (Portugal)
José Anastácio da Cunha (Portugal)
José Carlos Barros (Portugal)
José Carrilho Raposo (Portugal)
José da Fonte Santa (Portugal)
José do Carmo Francisco (Portugal)
José Emílio-Nelson (Portugal)
José Félix Duque (Portugal)
José Luís Peixoto (Portugal)
José Manuel de Vasconcelos (Portugal)
José Mário Silva (Portugal)
José Miguel de Oliveira (Portugal)
José Rui Teixeira (Portugal)
József Attila (Hungria)
Judith Teixeira (Portugal)
Julião Bernardes (Portugal)
Kakinomoto no Hitomaro (Japão)
Kouo Yu (China)
Lassi Nummi (Finlândia)
Laureano Silveira (Portugal)
Leonilda Cavaco Alfarrobinha (Portugal)
Lety Elvir (Honduras)
Li Bai (China)
Lívia Tucci (Brasil)
Lord Byron (Reino Unido)
Luís Brito Pedroso (Portugal)
Luís de Camões (Portugal)
Luís de Miranda Rocha (Portugal)
Luís Filipe Cristóvão (Portugal)
Luís Lima (Portugal)
Mafalda Chambel (Portugal)
Manuel Alegre (Portugal)
Manuel Anastácio (Portugal)
Manuel Botelho de Oliveira (Brasil)
Manuel da Silva Gaio (Portugal)
Manuel Duarte de Almeida (Portugal)
Manuel Laranjeira (Portugal)
Manuel Moya (Espanha)
Manuel Neto dos Santos (Portugal)
Maria Costa (Portugal)
Maria Estela Guedes (Portugal)
Maria Helena Ventura (Portugal)
Maria João Fernandes (Portugal)
Maria José Lascas Fernandes (Portugal)
Maria O'Neill (Portugal)
Maria Teresa Horta (Portugal)
Mariana Angélica Andrade (Portugal)
Mário Castrim (Portugal)
Mário de Sá-Carneiro (Portugal)
Mário Lisboa Duarte (Portugal)
Mário Machado Fraião (Portugal)
Marquesa de Alorna (Portugal)
Martim Codax (Galiza)
Matthías Jóhannessen (Islândia)
Michael Drayton (Reino Unido)
Michelangelo Buonarroti (Toscânia)
Miguel d’Azur (Portugal)
Miguel Florián (Espanha)
Miguel Godinho (Portugal)
Miguel Martins (Portugal)
Mihai Eminescu (Roménia)
Murasaki-Shikibu (Japão)
Myriam Jubilot de Carvalho (Portugal)
Natércia Freire (Portugal)
Nicolau Saião (Portugal)
Nína Björk Árnadóttir (Islândia)
Nuno Fernandes Torneol (Castela)
Nuno Júdice (Portugal)
Nuno Rebocho (Portugal)
Olavo Bilac (Brasil)
Olivier de Magny (França)
Omar Khayyam (Pérsia)
Otília Martel (Portugal)
Ozias Filho (Brasil)
Paio Soares Taveirós (Portugal)
Paula Cristina Costa (Portugal)
Paulinho Assunção (Brasil)
Paulino de Oliveira (Portugal)
Paulo Ferraz (Brasil)
Paulo Ferreira Borges (Portugal)
Paulo Ramalho (Portugal)
Pedro Afonso (Portugal)
Pedro António Correia Garção (Portugal)
Pedro Gil-Pedro (Portugal)
Pedro Sena-Lino (Portugal)
Pêro de Andrade Caminha (Portugal)
Pero Gonçalves de Portocarreiro (Portugal)
Pero Meogo (Galiza)
Petofi Sándor (Hungria)
Philip Sidney (Reino Unido)
Pierre de Ronsard (França)
Prisca Agustoni (Brasil)
Propércio (Roma)
Queirós Ribeiro (Portugal)
Raquel Lacerda (Portugal)
Regina Gouveia (Portugal)
Ricardo Reis (Portugal)
Robert Burns (Reino Unido)
Rodrigo Eanes Redondo (Portugal)
Ronaldo Cagiano (Brasil)
Rosa Alice Branco (Portugal)
Rui Almeida (Portugal)
Rui Brás (Portugal)
Rui Caeiro (Portugal)
Rui Costa (Portugal)
Rui Diniz (Portugal)
Rui Gonçalves (Portugal)
Rute Mota (Portugal)
Ruy Ventura (Portugal)
S. João da Cruz (Espanha)
Sá de Miranda (Portugal)
Sa'adi (Pérsia)
Safo (Grécia)
Salomão (Israel)
Salvador Rueda (Espanha)
Sérgio Godinho (Portugal)
Sérgio Peña (México)
Silva Palma (Portugal)
Soares dos Passos (Portugal)
Soror Madalena da Glória (Portugal)
Soror Mariana Alcoforado (Portugal)
Soror Violante do Céu (Portugal)
Tchang Chouai (China)
Teresa Tudela (Portugal)
Thorkild Bjørnvig (Dinamarca)
Tiago Araújo (Portugal)
Tiago Nené (Portugal)
Tomás António Gonzaga (Portugal)
Tomás Ribeiro (Portugal)
Torquato da Luz (Portugal)
Torquato Tasso (Itália)
Tradição oral (Arábia)
Tua Forsström (Finlândia)
Uberto Stabile (Espanha)
Vasco Graça-Moura (Portugal)
Vera Lúcia de Oliveira (Brasil)
Vergílio Alberto Vieira (Portugal)
Victor Oliveira Mateus (Portugal)
Vítor Oliveira Jorge (Portugal)
Vladímir Maiakovski (Rússia)
Vörösmarty Mihály (Hungria)
Walter Raleigh (Reino Unido)
Wang Wei (China)
William Shakespeare (Reino Unido)
Yamabe no Akahito (Japão)
Yehudá Ha-Leví (Navarra)
Zhang Kejiu (China)