
31 maio, 2009
30 maio, 2009
24 maio, 2009
cante quatorze* - a dor

irracional
da ave que repousa
na impossibilidade de guarnecer o nada
o imponderável subsiste
quando a dor volta
como se de uma velha amiga se tratasse e
trata
ninguém interfere com o esvoaçar da borboleta
ferida
um pássaro olha.a
num lento e timbrado bater de asas
fecha.se um livro sobre o corpo da borboleta
as asas projectam.se na lombada
do olhar do pássaro
impenetrável
abre as asas
negras
de contornos azuis e verdes
o negro impera
como a dor
torna.se irrespirável e
o som das asas da borboleta adorna
um corpo moribundo de mulher
a melancolia profunda
torna.se física
na insistência das horas
que não passam
o telefone que não toca
a tristeza
insistente
mente
regressa no segundo seguinte
restam duas
a melancolia e a mulher
e o pássaro
e a borboleta
e o livro
afinal são cinco
uma mão cheia de nada
ainda se o colofão ousasse!
-vasely curtains.
______________________
*sou ,endemicamente ,contra o acordo ortográfico - não passei procuração a ninguém para decidir por mim - razão porque continuarei a escrever o português como aprendi .não aceito que "certos" Puristas da Língua me interditem...
gabriela rocha martins.17 maio, 2009
11 maio, 2009
Prémio de Poesia António Patrício 2008

Este livro foi destacado como um dos quatro melhores livros de 2008 pelo Diário de Notícias.
Obra Poética:
Rósea Litania, 1997 (prefácio de João Rui de Sousa).
Mnemósine, 1997 (prefácio de António Ramos Rosa)
Jardins Imperfeitos, 1999.
Meandros Translúcidos, Labirinto, 2006 (prefácio de António Ramos Rosa).
Amantes da Neblina, Labirinto, 2007 (prefácio de Maria Teresa Dias Furtado).
As Vindimas da Noite, Labirinto, 2008.
Para além do Prémio de Poesia António Patrício 2008, Maria do Sameiro Barroso já tinha ganho o mesmo prémio em 1999 com o livro "Jardins Imperfeitos".
Recentemente, ganhou o Prémio Poesia Palavra Ibérica 2009 com o original "Uma Ânfora no Horizonte", instituído pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, numa parceria com o Ayuntamiento de Punta Umbria e com a colaboração de Sulscrito – Círculo Literário do Algarve.
Este último, será entregue no próximo dia 13, em Vila Real de Stº António, durante as comemorações da fundação daquela cidade.
06 maio, 2009
DISTÂNCIAS
viu outras paragens ouviu os bardos dos naufrágios
sei porque guarda na mão uma sombra de barcos e corais
há luz nos seus olhos limpos protectores
cantam neles os duendes das crianças histórias que ninguém quer ouvir
o velho vê o sol e sabe apontar estrelas no firmamento
vê por entre arranha-céus gosta de murmurar
dizem que é velho que não se abeirou de um deus
ou disse uma palavra menos própria
não estalou os dedos à sorte não se queixou de passos dados
no seu murmúrio de nómada ou de criança muito antiga
mas eu sei que o velho ria como sei dos deuses que inventamos
nos socorremos vertemos a lágrima nas despedidas nos amparamos
procuramos um sabor de heresia uma prata muito líquida no fio dos olhos
quando paramos e sabemos quanto mundo do mundo somos e distamos
José Ribeiro Marto
27 abril, 2009
*
Amo nos olhos que tomaste
com as mãos
as palavras que escrevo e amargo
o silêncio que devolve
o cérebro a doer
o coração em ferida
o líquido castanho dos olhos
quando se esbate como campos que devastam.
Amo o caminho que se alonga nos dias
os labirintos que se inflamam direitos aos alvéolos.
Só quero adoecer nos meus lugares e morrer nas tuas mãos.
*
Graça Magalhães, Lavrar no Corpo das Algas [2008], Palimage.
25 abril, 2009
nova história do capuchinho vermelho
Era uma vez um menino que vivia numa aldeia .
Toda a gente da aldeia o conhecia . Certo dia a sua avó fez-lhe
um capuchinho vermelho, e todos os seus amigos passaram a chamar-lhe "cravo vermelho".
Um dia, a sua mãe, preparou-lhe um cesto com bolos e mel para levar à avó, que estava doente. No caminho encontrou um lobo mau, este fez-se de amigo e perguntou ao menino:
- Onde vais?
- Vou visitar a minha avozinha que está muito doente.
O lobo,com ar matreiro,disse ao petiz:
- Também seria bom que eu fosse visitar a tua avó! – Exclamou .
- Excelente ideia. – Afirmou o menino.
O que ele não sabia é que o lobo iria pelo caminho mais longo.
E assim foi, o lobo chegou primeiro e comeu a avozinha.
Quando o cravinho vermelho chegou a casa da avozinha viu um lobo que estava deitado na cama da sua avó.
O capuchinho, de nome cravinho vermelho, apenas se apercebeu que a avó tinha umas mãos grandes, uns olhos grandes e por fim uma boca enorme.
E perguntou:
- Avozinha , porque tens as mãos, os olhos e a boca tão grandes?
Respondeu:
- A boca é para te comer! As mãos, para te abraçar e os olhos para te ver bem.
De repente salta da cama o lobo, disfarçado de avozinha, e come o menino, adormecendo de seguida.
Um caçador que por ali passava apercebeu-se que o ressonar não era da senhora velhinha que ali vivia.
Entrou e viu o lobo a dormir e lembrou-se que este podia ter comido a avó.
Foi quando lhe cortou a barriga de onde lhe saiu o capuchinho e a avó.
Antes de lhe fechar a barriga, agarrou num monte de pedras e pôs lá dentro.
Os três, o caçador, o capuchinho e a avó do menino, ficaram muito contentes e fizeram uma merenda para comemorar.
Hoje o menino chora a avó,porque já morreu e não podia viver para sempre.
O caçador desapareceu, dizem que fugiu para lugar incerto.
E o menino é um rapaz de 35 anos que ficou dentro da barriga da estória a comer o 35 de Abril com bolos e mel .
maria azenha
24 abril, 2009
20 abril, 2009
PERGUNTA PELO SOL
E o menino apontava para os olhos;
Grandes correntes de muito mundo visto,
O prazer de um sorriso brevíssimo,
Os olhos quase fechados pela pergunta,
Pela claridade imediata da pergunta,
A resposta dada, só silêncio intocável,
admiração perdida;
Sentia-se rodeado de destroços perto de um poço fundo,
De água dada a beber a viandante de raros mundos,
Estava na velha casa de séculos e de contos,
E um cão ia acompanhar o viandante à estrada,
Como se fosse o seu dono perdido,
Num caos de encontros introspectivos .
O menino ficava com o sol nos olhos,
E o sol deixava á noite a escuridão,
Uma herança de estrelas ,
Interrogava as coisas simples,
Que á noite se espelhavam no coração,
De horas antes de o sono se fechar por segundos,
O menino sabia apontar o sol nos seus olhos,
imaginar as coisas frias como a água que deu a beber ao viandante,
Que roubava horas ás pessoas, dizia-se :
Por não fazer perguntas práticas,
Não olhar as coisas pelo seu lado opaco,
Não oferecer uma gargalhada de usufruto comum ,
Teimar em cobrir o horizonte de sombras ,
Quando tudo se aninhava na solidão com silêncio seco
José Ribeiro Marto
17 abril, 2009
a excepção da regra 9.
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enquanto te aguardo, escrevo.
enquanto escrevo, me guardo.
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maria toscano
Coimbra, 17 abril /2009
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(se estais de férias: que vos sejam boas! abraço, mt)
11 abril, 2009
a queda da sombra - 7. mt
maria toscano, de a queda da sombra (inédito).
Coimbra, Café St.ª Cruz. 7 Abril/ 2007 e 6/Abril 2009.
a queda da sombra - 6. mt
à espera que
outro
nos ressuscite
pela cobardia nossa
caminhamos
.
algemados pelo ódio
e a vingança
prolongamos a agonia
nossa. vã.
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à espera que o passado
intemporal
se repita à imagem nossa
.
semelhança
.
nem festejamos a de outro nem almejamos
a nossa
ressurreição.
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maria toscano, de a queda da sombra (inédito).
Coimbra, Café St.ª Cruz. 7 Abril/ 2007












