18 outubro, 2009
13 outubro, 2009
09 outubro, 2009
06 outubro, 2009
Korean Songs - O meu coração
*
O MEU CORAÇÃO
(poema musical que descreve um amor não correspondido)
O meu coração é um lago, meu amor,
vem remar sobre ele.
Despedaçar-me-ei contra o teu barco como uma
pedra de jade contra a tua sombra branca.
O meu coração é uma vela, meu amor;
fecha a porta, por favor.
Arderei tranquilamente até ao fim
sem que uma única lágrima trema e caia
sobre a tua saia de seda.
O meu coração é um vagabundo, meu amor;
por favor, toca flauta.
Ficarei tranquilamente toda a noite
a ouvir-te tocá-la sob a lua.
O meu coração é uma folha caída, meu amor,
permite-me que fique um pouco no teu jardim.
Quando o vento soprar, deixar-te-ei,
e serei de novo um vagabundo solitário.
"Versão livre a partir do texto em francês de: Dong-Myung Kim, musicado por Dong-Jin Kim".
28 setembro, 2009
Sobr'Arte - Da Literatura
Mesa Redonda - Sobr'Arte
.13
.12
Maria Azenha
( umas "luvas de aprendizes" abraçam.na )
.11
.10
Maria Azenha ,Inês Ramos e Fernando Esteves Pinto.
.9
Inês Ramos ,Fernando Esteves Pinto ,Gabriela Rocha Martins ,Daniel Vieira e Lisete Martins.
.8
Lisete Martins e Daniel Vieira.
.7
Adão Contreiras.
.6
Fernando Esteves Pinto.
.4
Inês Ramos e Fernando Esteves Pinto.
.3
À esquerda de Inês Ramos , o poeta Fernando Esteves Pinto.
.2
Maria Azenha e Inês Ramos
.1
No passado sábado ,a Casa Museu João de Deus levou a efeito uma Mesa Redonda sobre "A Literatura - Da Criação à Edição" que contou com a presença dos seguintes Poetas/Intervenientes - Maria Azenha e Fernando Esteves Pinto .Inês Ramos moderou e desafiou os artistas plásticos Adão Contreiras e Daniel Vieira ,no outro lado da mesa ,assim como a directora do Grupo de Teatro "Penedo Grande", Lisete Martins.
[ para que as memórias não se percam ,sigam ainda o rasto de "Sobr'Arte - Da Literatura" em Bosque Azul e Casa Museu João de Deus ]
Da Criação à Edição
"O Poeta só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo" - António Maria Lisboa
"O Poeta só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo" - António Maria Lisboa
.13
.12Maria Azenha
( umas "luvas de aprendizes" abraçam.na )
Maria Azenha ,Inês Ramos e Fernando Esteves Pinto.
.9Inês Ramos ,Fernando Esteves Pinto ,Gabriela Rocha Martins ,Daniel Vieira e Lisete Martins.
Lisete Martins e Daniel Vieira.
Adão Contreiras.
Fernando Esteves Pinto.
Inês Ramos e Fernando Esteves Pinto.
À esquerda de Inês Ramos , o poeta Fernando Esteves Pinto.
Maria Azenha e Inês Ramos
No passado sábado ,a Casa Museu João de Deus levou a efeito uma Mesa Redonda sobre "A Literatura - Da Criação à Edição" que contou com a presença dos seguintes Poetas/Intervenientes - Maria Azenha e Fernando Esteves Pinto .Inês Ramos moderou e desafiou os artistas plásticos Adão Contreiras e Daniel Vieira ,no outro lado da mesa ,assim como a directora do Grupo de Teatro "Penedo Grande", Lisete Martins.
[ para que as memórias não se percam ,sigam ainda o rasto de "Sobr'Arte - Da Literatura" em Bosque Azul e Casa Museu João de Deus ]
FRASEADOR
A FRASEOLOGIA DA PEDRA
Mosteiro da Batalha - Capelas Incompletas / foto de Augusto Mota
Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada.
Manoel Barros, in Memórias inventadas: a Infância / São Paulo, Planeta, 2003.
Manoel Barros, in Memórias inventadas: a Infância / São Paulo, Planeta, 2003.
26 setembro, 2009
De Repente
Carrego parco peso do silêncio
Ouço
É uma ave nocturna pousada no varadim
Veio com a noite fez-se escura
Cantou com dobras de sino e tábua
Festejou a lua ofereceu as asas
Quis-se inteira habitando o ar da casa
Mas eu sonho o distante e o inteiro da luz
E não consenti que viesse acender meu sangue
No rasgo de um dobrar de asas
Deixei que os pés me fossem chão
Que o corpo vogasse num barco defeso na água
Que a escuridão da noite
Fosse gesto consentido
Estreme na noite intíma só a casa
Deixei que uma gramática me assaltasse as horas
Escrevesse por ela o meu voo libertasse a minha asa
Não desiste de me chamar a ave
No varadim incendeia gutural a noite
Com os olhos de menino parto para longe
E trago uma infância aquecida a fogo posto
José Ribeiro Marto
Ouço
É uma ave nocturna pousada no varadim
Veio com a noite fez-se escura
Cantou com dobras de sino e tábua
Festejou a lua ofereceu as asas
Quis-se inteira habitando o ar da casa
Mas eu sonho o distante e o inteiro da luz
E não consenti que viesse acender meu sangue
No rasgo de um dobrar de asas
Deixei que os pés me fossem chão
Que o corpo vogasse num barco defeso na água
Que a escuridão da noite
Fosse gesto consentido
Estreme na noite intíma só a casa
Deixei que uma gramática me assaltasse as horas
Escrevesse por ela o meu voo libertasse a minha asa
Não desiste de me chamar a ave
No varadim incendeia gutural a noite
Com os olhos de menino parto para longe
E trago uma infância aquecida a fogo posto
José Ribeiro Marto
21 setembro, 2009
Passiflora 'Crimson Tears' / foto Augusto Mota
15
Atravesso desbotados
anjos que o tempo não devolve
existências de água e vento
onde habitam sons de prata
eternidade por dentro
desassossego que mata
carne acesa a desistir
inteira o que a tristeza deseja
para que tudo cante
o lembrar a cada instante
a única solidão
Graça Magalhães, Na Memória dos Pássaros, 2ª ed., Ed. Palimage.
16 setembro, 2009
07 setembro, 2009
Sobr'Arte - "há letras e letras"
Lançamento do CD - "O Mar Atinge-nos" de Maria Azenha
Apresentação - gabriela rocha martins
Momento Musical - Paulo Pires
Leitura de Poemas - Inês Ramos, Lisete Martins, Hélia Coelho e a Autora
vj. mais in Bosque Azul e Casa Museu João de Deus
01 setembro, 2009
31 agosto, 2009
fábula da grande frase
.
naquele tempo
em que os animais falavam
o lobo acomodou melhor a almofada sob os ombros
estendeu as pernas
estendendo-se, surdo enorme e esguio
e começou a ler
.
a fábula invocava figuras nítidas, puras
encantadas pela memória intacta,
encantadas figuras intactas
puras
.
a fábula tinha sons e cheiros e ruídos
do ambiente do interior
e do íntimo (que é um lugar ainda mais ao sul
do interior)
e luzes
.
a fábula gemia nos gonzos da língua doce do lobo
(doce lobo, ele também, sem que o soubesse)
descia em vapores suaves
erguia-se por entre o ar
morno
e planava
intacta,
febril mas intacta
ao ritmo cadenciado do passo da figura mais pura:
a da avó.
.
a avó
mais do que uma avó
era a chave de tudo
do enigma e do desencanto
do espanto e da descrença
da força e das franjas ralas
do vácuo e
do verbo
intacto
puro
nascido entre abraços doces
da avó.
.
o lobo falava, surdo. surdo, o lobo lia, lia-se
à medida que as figuras, exaustas, se aconchegavam
rente ao ventre da que mereceu o arco do silêncio e do verbo.
intactos
puros
rente aos seios da que mereceu
lamber o doce lábio do lobo ardente.
.
no fim?
no fim da fábula o fim não se deixa ouvir.
.
naquele tempo os animais falavam.
.
o lobo
enorme e esguio
começou a soletrar-se, surdo, na grande frase.
.
desde então
até hoje
a grande frase pôs-se ao caminho
ao encontro do verbo doce.
desde então
a grande frase cumpre o caminho
de fazer falar a doce língua do intacto
surdo
lobo.
.
maria toscano
Coimbra, 24 Julho/2009
naquele tempo
em que os animais falavam
o lobo acomodou melhor a almofada sob os ombros
estendeu as pernas
estendendo-se, surdo enorme e esguio
e começou a ler
.
a fábula invocava figuras nítidas, puras
encantadas pela memória intacta,
encantadas figuras intactas
puras
.
a fábula tinha sons e cheiros e ruídos
do ambiente do interior
e do íntimo (que é um lugar ainda mais ao sul
do interior)
e luzes
.
a fábula gemia nos gonzos da língua doce do lobo
(doce lobo, ele também, sem que o soubesse)
descia em vapores suaves
erguia-se por entre o ar
morno
e planava
intacta,
febril mas intacta
ao ritmo cadenciado do passo da figura mais pura:
a da avó.
.
a avó
mais do que uma avó
era a chave de tudo
do enigma e do desencanto
do espanto e da descrença
da força e das franjas ralas
do vácuo e
do verbo
intacto
puro
nascido entre abraços doces
da avó.
.
o lobo falava, surdo. surdo, o lobo lia, lia-se
à medida que as figuras, exaustas, se aconchegavam
rente ao ventre da que mereceu o arco do silêncio e do verbo.
intactos
puros
rente aos seios da que mereceu
lamber o doce lábio do lobo ardente.
.
no fim?
no fim da fábula o fim não se deixa ouvir.
.
naquele tempo os animais falavam.
.
o lobo
enorme e esguio
começou a soletrar-se, surdo, na grande frase.
.
desde então
até hoje
a grande frase pôs-se ao caminho
ao encontro do verbo doce.
desde então
a grande frase cumpre o caminho
de fazer falar a doce língua do intacto
surdo
lobo.
.
maria toscano
Coimbra, 24 Julho/2009
28 agosto, 2009
Ao corpo azul das pedras
*
Centro de uma Passiflora manicata / foto Augusto Mota
*
Iremos
onde os dedos são manhãs
onde os astros rebentam às flores
onde a geada
estende nêsperas de orvalho
e os peixes vestem escamas de nata
onde há rodas e carrosséis
e crianças de açúcar no regaço
dobando árvores de algodão
iremos
ao corpo azul das pedras
devassar o sossego
das algibeiras
à brancura luminosa
da pele molhada
iremos.
*
*
Graça Magalhães
Graça Magalhães
*
in «Saudade», revista de poesia, Junho 2009, nº 11, Amarante, Edições do Tâmega.
26 agosto, 2009
TERRA PROMETIDA
*
Barlavento algarvio / foto Torquato da Luz, 2008
*
*
Afasta de ti o cálice amargo
da cicuta que te envenena a vida,
dá todo o pano à vela, faz-te ao largo
e avistarás a terra prometida,
onde consta que jorram abundantes
o leite e o mel, como diziam dantes.
E, embora saibas que ela não existe,
pois tudo é sonho, tudo é ilusão,
essa terra que apenas entreviste
há-de oferecer-te a íntima razão
para seguires em frente e procurares
o que ao longo da vida imaginares.
Torquato da Luz
da cicuta que te envenena a vida,
dá todo o pano à vela, faz-te ao largo
e avistarás a terra prometida,
onde consta que jorram abundantes
o leite e o mel, como diziam dantes.
E, embora saibas que ela não existe,
pois tudo é sonho, tudo é ilusão,
essa terra que apenas entreviste
há-de oferecer-te a íntima razão
para seguires em frente e procurares
o que ao longo da vida imaginares.
Torquato da Luz
21 agosto, 2009
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