23 novembro, 2009

POEMA PARA SER DITO

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Poema para ser dito
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Praia da Vieira de Leiria / foto Pedro Carvalho

17 novembro, 2009

Risoleta C. Pinto Pedro na Casa Fernando Pessoa





"O Sol do Tarot de Sintra"

Editora Indícios de Oiro
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Trata-se de uma ficção de Risoleta C. Pinto Pedro que parte das pinturas de Frederico Mira George. A obra será apresentada por Paulo Borges dia 24 de Novembro pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa.
Haverá ainda a interpretação de duas peças para piano, pela pianista Vera Prokic.
Dança pelo bailarino Pedro Paz com acompanhamento ainda a designar.



Lançamento



15 novembro, 2009

"A Geografia do Tempo"













Decorreu, no passado dia 7 de Novembro, o lançamento de um novo livro de poesia apresentado pelo poeta Porfírio Al Brandão.









Alguém de quem pouco se ouve falar resolve mostrar as coisas que andou a escrever enquanto vive como mulher poema, sempre a braços com as palavras para uma nova geração.
Esse é o desafio. Criar novas imagens com as palavras, esperar que elas digam mais do que as próprias palavras.
Para tentar perceber como respira o coração. Como se sobrevive à melancolia dos dias ou como se rompe com as coisas sempre iguais nos dias que se querem desiguais.





O acordeão de Paulo Pires acompanhou este incêndio, este voo feliz entre a música e as palavras numa interpretação que não colocou limites à emoção.












































Paulo Pires
e
Sofia Magalhães










O piano de Catarina Barros e o clarinete de Fausto Silva trouxeram um toque de frescura a este
recital de apresentação que chamou ao palco Jorge Fragoso, Sofia Magalhães e a autora, para a leitura de alguns poemas de um livro que hoje é já uma parte da "Geografia do Tempo" vivido que se inscreve eterno na memória.



Catarina Barros e Fausto Silva












Jorge Fragoso

e

Sofia Magalhães



Graça Magalhães


Não se espere encontrar neste livro um tratado de geografia ou um dicionário de memórias. O que é constante e permanente, incontornável, diria mesmo, é o passado que se estende ao presente e traz consigo, na poesia, uma imagem de esperança.

Nas palavras de Eduardo Pacheco (360 graus de poesia, Paradoxosdoedu.blogspot.com).



"Poesia são sonos que vou dormir com o tempo que me resta até ser hoje. É poesia chegar ao fim do copo às vezes sem beber uma única palavra. Acrescentar mais uma hora à eternidade e entornar à tona da tua boca todos os desejos que sorvo quando não escrevo por ser de silêncio o tempo que te basta para ser feliz. São poesia corpos de água que peço ao céu para te embriagar com doses de esquecimento. São poesia sons que me ensurdecem pela garganta abaixo. Arcos de quem flecha uma janela no meio dum coração em pé de aços. Aguarelas de chuva que se fazem eco caindo em catadupa de duas gotas.
São poesia dardos em direcção ao oeste este incêndio à flor da pele este barco estes remos contra a maré estas asas este voo enevoado estes dedos de beliscar as estrelas depois das palavras. São poesia céus para voar transformados em obstáculo. Pontos cardeais que não chegam a nenhum poente. Caminhos de andar desnorteado entre o norte e o luar. Enxadas que descascam a paisagem. Sinais de fumo que nos atravessam em procissão poesia as fracturas de luz e traços de alegria e cores de azul."


Por tudo isto faço dela um lugar para existir e somar palavras à finitude do tempo que se deseja eternizar.

A todos os que se juntaram a este evento, o meu agradecimento.



Catarina Barros, Fausto Silva, Jorge Fragoso, Américo Nunes, Porfírio Al Brandão e Graça Magalhães













Graça Magalhães








Fotografia: António Oliveira, Amofotografia,Viseu

14 novembro, 2009

explicação dos espelhos de Maria Azenha por Rogel Samuel






Rogel Samuel - Ensaísta, poeta, crítico literário e romancista brasileiro


Para ela, os espelhos cantam, encantam, se multiplicam, se escondem no coração nos seus reflexos, na chuva e no corpo escondidos, ninguém os vê, e sobe aos céus uma escada imaginária de relâmpagos, de reflexos, uma escada rural, feita e emoldurada de folhas, de cântaros, de cantares, Maria Azenha mata a sede mata a pomba de dentro do poema, de dentro dos espelhos em que os reflexos se vêem e se negam, para que alguém possa morrer, para que alguém possa viver, cantar seu rumo no rumor do fogo, no rumor do jogo, no rumor dos espelhados, dos despedaçados.


***

explicação dos espelhos

e multipliquem os espelhos que cantam

tenho o coração escondido para que ninguém o veja

conheço a chuva dos olhos e encosto o ouvido

aos joelhos



dou-te uma escada construída por relâmpagos

uma escada feita de folhas e de cântaros para

matar a sede

e uma pomba dentro do poema

para que possas morrer



cantar num rumor

do

fogo


Maria Azenha


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Rogel Samuel:


Rogel Samuel - Literatura
Rogel Samuel - Novos Poemas
Mais sobre Rogel Samuel




Divulgado por Maria Costa


12 novembro, 2009

«A Geografia do Tempo» - lançamento do livro

À Mulher - Poema



de Porfírio Al Brandão

Dedico esta apresentação à Graça Magalhães e ao Jorge Fragoso e, com um certo secretismo, à Duendita e aos inspiradores dois "Jotas".


Na geografia do tempo
a forma tem a concha das palavras
Visitam-me acácias ao fim da tarde
Numa veia de África a rua está
no gesto que acende as mãos
No fogo conduzem os olhos corais
ao barroco da estrada
Desço o caudal das pálpebras
na forma breve dos pássaros
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Graça Magalhães (2009), "A Geografia do Tempo", poema 27, Palimage Ed.
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A Geografia do Tempo é o quarto livro de Graça Magalhães. Nele permanecem, como nos anteriores, elementos autobiográficos cravados na espinha de cada poema. África, infância, afectos, emoções, aforismos, uma paixão pelo real, um sensacionalismo dado pela polpa de uma epopeia mágica de metáforas cárneas e imagens. Não digo que seja um livro de afectos, não concordo, porque vejo este livro como mais um membro do corpo literário da poeta, o seu "farrapo de carne nerrativa" utilizando a expressão de Paulo da Costa Domingos. A Geografia do Tempo é um mapa que devemos ler não de forma linear, mas confiando no instinto de aceder a prolepses e analepses no corpo narrativo, avanços e recuos num tempo consubstanciado em espaço. "Nada deve ser dito sobre um livro que se dá ao leitor", diz informado o meu amigo Martim de Gouveia e Sousa.Verdade. E Novalis sublinha "Urge que o verdadeiroleitor seja o autor aumentado". Verdade.Mas aí eu falo: o verdadeiro poeta é o leitor, aquele que incendeia o sangue do poeta adormecido nas palavras gravadas no papel, aquele que empresta o seu sangue vivo para ressuscitar, expandir e alumiar o sangue seco no livro dopoeta fisicamente não presente. Um alquimista do silêncio. Não se deve dizer "sobre" mas "celebrar com", contagiar os outros com a nossa leitura, uma das muitas possíveis. Só assim perpetuamos a memória de quem gostamos. A poesia não tem grande público, já sabemos, mas Charles Bernstein, um alarmado poeta e teórico da L=A=N=G=U=A=G=E ( e aqui agradeço à Cristina Nery pelo facto de ter sido ela quem mo deu a conhecer) diz-nos que "O que se deve lamentar não é a falta de um grande público para um qualquer poeta, mas a falta do pensamento poético enquanto potencial activado para toda a gente" e também arrisca dizer que "A poesia deve ser pelo menos tão interessante como a televisão e bastante mais surpreendente". O que concluo daqui é que há uma formatação social em cada um de nós que é necessário desconstruir para caminharmos confortavelmente nos trilhos da poesia. Podemos começar da forma como vemos o poeta.E aqui cito Graça Capinha "não há poetas com "P" grande e poetas com "p" pequeno. Há poetas. Gente que trabalha ludicamente o material sonoro". Antes dela disse-o também o saudoso Agostinho da Silva, naquele seu jeito especial, refrescante: "cada um é o poeta que é".
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Quero agora partilhar convoosco o que me incendiou neste novo livro da Graça Magalhães, que congregando-se com os livros anteriores permite a visualização do périplo íntimo das palavras da poeta que tem como confidentes os pássaros. Em A Geografia do Tempo descobri no poema 38 um vórtice que me levou a um outro, o poema 5. Reconstituo o momento.Chegado aqui, entusiasmado com o mapa nas mãos, cartografando o tempo com todos os sentidos e mais alguns, sobressaltou-me um calafrio...lembrei-me de um poema do poeta Al Berto, já desaparecido fisicamente entre nós, mas sempre presente pela obra que nos deixou como sua herança. Com ele termino esta intervenção. "Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida".
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Bem-haja, Graça Magalhães

05 novembro, 2009

02 novembro, 2009

Hibisco
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Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis)
foto: Augusto Mota
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Infante
anjo menino
ao ouvido da memória
traço oblíquo de
silêncio
um sulco de púrpura
também fascínio
quero zarpar um rio
a aveleira azul
e um ramo de lâminas.

Morrer devagar
Coagular devagarinho
O sangue em brasa.

Graça Magalhães, Novembro, 2009

20 outubro, 2009

Planto as algas de Novembro

E então as palavras de néon
um candeeiro de cobre
na latitude do vento

também noites sem vértices
faróis tremendo água
e formigas encarnadas
degustando planetas
descendo as órbitas da carne.

Nunca medi o prazer do céu.

As medusas na pele adormecem o frio.

Graça Magalhães, Outubro 2009

18 outubro, 2009

13 outubro, 2009

TEXTO INVERSO

Photobucket

foto: Pedro Carvalho

09 outubro, 2009

06 outubro, 2009

Korean Songs - O meu coração

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O MEU CORAÇÃO
(poema musical que descreve um amor não correspondido)


O meu coração é um lago, meu amor,
vem remar sobre ele.
Despedaçar-me-ei contra o teu barco como uma
pedra de jade contra a tua sombra branca.


O meu coração é uma vela, meu amor;
fecha a porta, por favor.
Arderei tranquilamente até ao fim
sem que uma única lágrima trema e caia
sobre a tua saia de seda.


O meu coração é um vagabundo, meu amor;
por favor, toca flauta.
Ficarei tranquilamente toda a noite
a ouvir-te tocá-la sob a lua.


O meu coração é uma folha caída, meu amor,
permite-me que fique um pouco no teu jardim.
Quando o vento soprar, deixar-te-ei,
e serei de novo um vagabundo solitário.


"Versão livre a partir do texto em francês de: Dong-Myung Kim, musicado por Dong-Jin Kim".


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28 setembro, 2009

Sobr'Arte - Da Literatura

Mesa Redonda - Sobr'Arte





Da Criação à Edição
"O Poeta só o será quando a sua imaginação for além da imaginação do Universo" - António Maria Lisboa


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Maria Azenha
( umas "luvas de aprendizes" abraçam.na )


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Maria Azenha ,Inês Ramos e Fernando Esteves Pinto.



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Inês Ramos ,Fernando Esteves Pinto ,Gabriela Rocha Martins ,Daniel Vieira e Lisete Martins.


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Lisete Martins e Daniel Vieira.


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Adão Contreiras.






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Fernando Esteves Pinto.








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Inês Ramos e Fernando Esteves Pinto.


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À esquerda de Inês Ramos , o poeta Fernando Esteves Pinto.




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Maria Azenha e Inês Ramos




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No passado sábado ,a Casa Museu João de Deus levou a efeito uma Mesa Redonda sobre "A Literatura - Da Criação à Edição" que contou com a presença dos seguintes Poetas/Intervenientes - Maria Azenha e Fernando Esteves Pinto .Inês Ramos moderou e desafiou os artistas plásticos Adão Contreiras e Daniel Vieira ,no outro lado da mesa ,assim como a directora do Grupo de Teatro "Penedo Grande", Lisete Martins.

[ para que as memórias não se percam ,sigam ainda o rasto de "Sobr'Arte - Da Literatura" em Bosque Azul e Casa Museu João de Deus ]

FRASEADOR

A FRASEOLOGIA DA PEDRA
Mosteiro da Batalha - Capelas Incompletas / foto de Augusto Mota

Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada.

Manoel Barros, in Memórias inventadas: a Infância / São Paulo, Planeta, 2003.

26 setembro, 2009

De Repente

Carrego parco peso do silêncio
Ouço
É uma ave nocturna pousada no varadim
Veio com a noite fez-se escura
Cantou com dobras de sino e tábua
Festejou a lua ofereceu as asas
Quis-se inteira habitando o ar da casa

Mas eu sonho o distante e o inteiro da luz
E não consenti que viesse acender meu sangue
No rasgo de um dobrar de asas

Deixei que os pés me fossem chão
Que o corpo vogasse num barco defeso na água
Que a escuridão da noite
Fosse gesto consentido
Estreme na noite intíma só a casa

Deixei que uma gramática me assaltasse as horas
Escrevesse por ela o meu voo libertasse a minha asa
Não desiste de me chamar a ave

No varadim incendeia gutural a noite
Com os olhos de menino parto para longe
E trago uma infância aquecida a fogo posto


José Ribeiro Marto