21 abril, 2008

Postais da III Bienal de Silves






Hoje, começamos a mostrar a colecção de postais que, paralelamente, à brochura, será oferecida, a fim de dar a conhecer e divulgar os Poetas que intervirão em "Poem'Arte - Nas Margens da Poesia".

18 abril, 2008

Os Dois Outros Ângulos da Poesia - A Pintura e a Música

[clique sobre as imagens para aumentar]


A Pintura de Marta Jacinto - inauguração da exposição - dia 25 de Abril, pelas 15 horas ,no Átrio da Biblioteca Municipal de Silves





A Música nas Palavras Interditas - ou o recital poético musical pelo grupo Experiment'arte - dia 27 de Abril - pelas 22 horas, na Sala de Leitura para adultos da Biblioteca Municipal de Silves

Convite

[clique em cima da imagem para aumentar]
A Presidente da Câmara Municipal de Silves convida
V. Excia e Família para assistir a
Poem'arte
Nas Margens da Poesia
III bienal de silves

que terá lugar nos dias 25, 26 e 27 de Abril, na Sala Polivalente da
Biblioteca Municipal de Silves

17 abril, 2008

a brochura / convite / programa





Parece algo complicado, visto assim. Mas não. É, simultaneamente, uma brochura [convite/programa] simples, apelativa e bastante funcional. Amanhã mostramo-vos como. Por agora, ficam, apenas, os rascunhos

15 abril, 2008

a brochura / convite / programa




[clique em cima da imagem para aumentar]

Esta brochura, que hoje começamos a divulgar, será, antes e durante a Bienal, distribuída a toda a população de Silves.... E não só!!!!!!

Será, em primeiro lugar, um convite às pessoas para participarem na Bienal. Do mesmo modo que, de uma forma fácil e apelativa, dará a conhecer os Poetas que nela intervirão e, sobretudo, será, desta vez, a maneira de ... colocarmos a Poesia na Rua ...

11 abril, 2008

Marta Vargas






nasceu em São Bartolomeu de Messines, é mãe da Juliana e engenheira, fez/faz teatro no Grupo Penedo Grande e

sabe - mas sabe mesmo - dizer POESIA...
[ela vai "matar.nos" com o que acabámos de escrever, mas é verdade. se alguém tem dúvidas, foi ela que disse o poema de Al.Mu'tamid - Evocação de Silves - na RTP, quando da inauguração do Museu de Arqueologia de Silves]
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"querida g.,

cá vai o texto que eu escolhi, se é para acompanhar a fotografia, então que seja alguma coisa com a qual realmente me identifico. desculpa não ir em itálico, mas este mail não tem escolha de letra.
mv."


" (...) Um dia fui ver a aldeia do poeta e estive no adro da igreja contemplando a casa onde nasceu. Depois subi ao escarpado cerro que ali se levanta, quando, justamente, se transmontava o sol. Era no fim de Junho; pelas encostas dos montes fronteiros escorriam as searas em ondas de oiro roxo e vinham juntar-se ondulando, mas já sem cor, no fundo do vale extensíssimo.
Outros montes sem vegetação, meros contornos indecisos de sombras violetas, fechavam, muito longe, o horizonte vacilante, e, para o lado do mar, o céu esverdeado perdia, pouco a pouco, a transparência com o misterioso desmaio das turquesas moribundas. (...)"

De Manuel Teixeira Gomes ( São Bartolomeu de Messines - A terra de João de
Deus, Inventário de Junho Portugália Ed. Lisboa s.d. )

10 abril, 2008

Marta Jacinto

nasceu em São Bartolomeu de Messines, em 1979.

Licenciada em Arquitectura, pelo ISMAT, desde 2004.

Desde cedo fomentou o gosto pelas artes plásticas, tendo frequentado durante o ensino básico, o curso da dominante artes.

Foi durante este período que descobriu e experimentou novas técnicas que viriam a influenciar o seu percurso, tendo realizado as suas primeiras exposições.

Actualmente, e em paralelo com a sua actividade profissional, continua a desenvolver trabalho na área das artes plásticas, com especial relevância para a pintura, ilustração e modelagem.

O seu trabalho pode ser visto em exposições que realiza com frequência um pouco por todo o país.

“ as tintas, os lápis, as telas, os pincéis espalhados por todo o lado, tingindo de cor tudo em meu redor são o meu refúgio..o meu esconderijo de eleição.. se quiserem saber de mim, e não me encontrarem, procurem aí por mim, pois é assim que me encontro...”
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“life painted” ... “a vida pintada” - tema da Exposição de Pintura


A pintura é uma forma de expressão sem limites, sem fim, onde o real e o imaginário se tocam. O meio através do qual me liberto e relaciono com o mundo, e nele deixo a minha marca.

Um percurso contínuo de aprendizagem, introspectivo e universal, onde a beleza, o amor, a simplicidade e a humildade se transportam para uma realidade utópica, mística real e intemporal, que me levam a vaguear por entre mundos desconhecidos.

Elementos, cores e figuras emergem do subconsciente nas diversas fases do meu trabalho, apelando aos sentidos, à intuição e ao imaginário.

Da simbiose entre tons quentes e frios surgem personagens encantadas, elementos leves, soltos e suspensos, repletos de misticismo e musicalidade.

Anseio mostrar o meu mundo, através da poesia de leves pinceladas.

contactos:
telm: 96 429 552 2
email: martajacinto79@gmail.com

09 abril, 2008

acabado de chegar ao "poem'arte//nas margens da poesia"

intervalo
- inédito de Cristina Néry*

num intervalo de pele
degusto tendões que se mostram em rosto lilás.
se o odor da morte é um regador
e os pássaros azuis a geografia das orações
há uma trepadeira intacta a servir de giestas a um violino que uiva os lobos negros.
nas sedas dos túmulos que cintilam encontro um fôlego crú
e o equinócio dos sinos
porque quero a selva como o terreno iluminado de círios
e à cintura as sílabas como arestas
para que um tigre cego me encontre em caule.

já que afastei os ninhos
as tílias enceram-me um pulmão
e a toalha branca tem o banquete do Inverno
e suporta a lagoa das rãs durante a luz.

poderia imaginar a tecitura dourada de uma escama
se uma última pincelada num vidro embaciado
ou até o pulso ficar vermelho.

não preciso dos incêndios e das olheiras marinhas
mas dos pirilampos nos trevos
e de uma cela florida.
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*Assistente de investigação no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, membro integrante do Grupo Poético de Viseu "Sarau dos Danados"[clique], e poeta publicada quer em livro, quer na revista Oficina de Poesia

08 abril, 2008

O Grupo Experiment'arte



é um projecto profissional na área da animação e promoção da leitura e do livro. Conjugando a leitura em voz alta, a encenação, a música, a imagem (experimentando assim um fértil e profícuo diálogo entre diferentes registos artísticos) e a interacção com o ouvinte (experimentando assim o próprio público), este grupo procura trilhar novos caminhos ao nível da interpretação e reinvenção dos textos literários, propondo leituras dinâmicas e originais que contribuam para estimular a (re)descoberta dos autores e dos livros em língua portuguesa.

Este projecto é composto por Sónia Pereira (concepção e declamação literária; coordenação geral), Paulo Pires (concepção, declamação literária, coros e acordeão) – ambos com formação superior na área das línguas e literaturas –, Ricardo Martins (voz solo, piano e guitarra acústica) e Nuno Martins (operação de som, luz e imagem).

O grupo está sedeado no Algarve, mas desenvolve acções um pouco por todo o país, dirigindo-se sobretudo a um público-alvo jovem e adulto e dinamizando as suas acções em bibliotecas públicas, escolas secundárias, centros e associações culturais, estabelecimentos prisionais e em espaços/contextos não convencionais de leitura.

Ao longo do seu percurso, o Experiment’arte tem vindo a colaborar e trabalhar em acções e projectos de incentivo à leitura com vários nomes reconhecidos do teatro, televisão e literatura portugueses, como Eunice Muñoz, João Grosso, Maria do Céu Guerra, Diogo Dória, Nuno Júdice, José Fanha, Carlos Paulo, Ângela Pinto, Filipa Melo, Afonso Dias, entre muitos outros.

Ao reflectir um dia sobre os moldes possíveis de divulgação da linguagem poética junto do público em geral, Eugénio de Andrade diria que o que realmente importa é “pôr a poesia a falar”, lê-la em voz alta, pondo assim o ênfase na matéria sonora para sentir verdadeiramente o prazer que a poesia transmite. Não ficámos indiferentes, pois o “verso exige ser pronunciado” (Jorge Luís Borges), para assim “restituir” ao discurso literário a sua natureza plural, subjectiva, inteligível e apetecível…
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A III Bienal na Agenda Cultural de Silves

1 .capa da Agenda Cultural da Câmara Muncipal de Silves [mês de Abril]

2 .referência no interior da Agenda
[clique em cima das imagens para aumentar]
3 .uma outra referência

07 abril, 2008

Homenagem a Urbano Tavares Rodrigues .Lição de Sapiência por Domingos Lobo

Domingos Lobo nasceu em 1945. Frequentou a Faculdade de Direito da UL, mas a mobilização
para a guerra colonial levou-o, com vantagem para o direito, a desistir.
Licenciado em Teatro e Animação Social e Comunitária. Mestrado em Estudos
Portugueses.
Foi jornalista, crítico de teatro e cinema. Fundou, em 1971, o GATO _ Grupo de
Acção Teatral de Oeiras, onde encenou, entre outros, Ibsen, Brecht, Ionesco,
Luís Francisco Rebello, Andrés Lizarraga, Prista Monteiro, etc. Prémio de
Melhor Encenador, no Festival de Teatro de Lisboa, em 1981.
Publicou: "Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando" (romance) - Vega; "Pés Nus
na Água Fria" (romance) - Vega; "As Máscaras Sobre o Fogo" (romance) - Vega:
"As Lágrimas dos Vivos" (contos) - Vega; "Voos de Pássaro Cego" (poesia) -
Vega; "As Mãos nos Labirintos" (poesia) Sete Caminhos; "Quando os Medos Ardem"
(teatro) - Garrido Editores; "Desconstrutor de Neblinas" (textos de leitura
crítica) - Cosmos.
Organizou as antologias: "Poetas Nossos - Poesia Popular do Ribatejo" - ed. CM
de Benavente; "Exaltação do Prazer - poesia portuguesa Erótica, Burlesca e
Satírica do Século XVIII"- Vega.
Está representado nas antologias: "Experiência de Liberdade" - ed. Diabril;
"Contoário" - Escritor; "Guerra Colonial - Realidade e Ficção", org. Rui de
Azevedo Teixeira - Ed. Notícias; "Guerra do Ultramar - Realidade e Ficção",
org. Rui de Azevedo Teixeira - Ed. Notícias.
Tem textos de crítica literária publicados em: "Escritor", "Revista Alentejo",
"Seara Nova", "Vértice", "Jornal do Brasil", "EntreLetras" e "Foro das Letras".
É presidente do Conselho Fiscal da APE.
Programador Cultural na Câmara Municipal de Benavente.
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1. para o Mário-Henrique Leiria com gin e joanetes

o passageiro mastiga um fado já coçado
a dentadura branca mordendo o croissant
o mordomo perneta bate pívias à parva
a marquesa com traça leva a baixela ao prego
o poeta divaga cavalga a bica e sai outro
soneto morno prá mesa do canto
o smoking austero ri nos bastidores
uns joanetes néscios fazem figas ao fisco
mais lhe valera varizes meretrizes e tempo
sempre rendia algum para a caixa do ócio
a paciência mais funda vai roçando virilhas
a solidão sobrevoa os crepes e o chá
a embaixatriz faz-se ao mar com astrolábio aziago
um marujo sueco encalhou na Betesga
o cadáver já fede e atrapalha o trânsito
o teatro chinês demora a digestão
o gin já vem grudado à prestação do verso
a bófia abalroou o medo a tia e a flóber
os velhos no Rossio tecem crioulo e surro
e mijam nas valetas aguardente de ossos e reumático
se os afectos demoram põe-se a conversa ao lume
morremos sem saber os números do acaso
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2. para o Mário Cezariny no café Palladium

um adeus sufocado um invertido roxo
o espaço guardado entre a fala e a fome
um manto de brocado para cobrir o desgosto
o intestino grosso de vigia ao delgado
o actor que soletra
a actriz que prediz
a gordura que encerra
um coração feliz
um polícia cinzento roído pela traça
os cantos da gaveta um cómodo Inverno
um urinol suspeito a braguilha evidente
o sujeito decente enreda-se no vício
um rodapé com barbas dançando fox-trots
os alicerces da dúvida
as certezas da dívida
uns seios derretendo ao som da Marselhesa
a Gioconda enfrasca-se no VáVá com o César Monteiro (cadáveres esquisitos mascando naftalina)
o mijo é abundante nesta revolta à perna
o esperma é cicuta para poetas castos
os filhos da dita duram neste Abril à míngua
se eu andasse à caça a manhosa era presa (fácil)
mas há marujos à bolina com o mastro a arder

no Palladium vendem-se caramelos e beijos interditos
há miúdos de cabidela para entreter o bócio
risos à socapa com bolinhos de fel
e bichas ao engate no espelho dos assombros
ao chá voltejam carpas.

04 abril, 2008

Poem'Arte // Nas Margens da Poesia . Homenagem a Urbano Tavares Rodrigues



o Poeta da Palavra Vida [que será homenageado pela Câmara Municipal de Silves, no decurso da III Bienal ] nasceu em Lisboa, mas passou a sua infância no Alentejo, perto do Rio Ardila ( Moura ), cujo local influenciará, sobremaneira, a sua obra. Traduzida em diversas línguas, tem como característica principal, a tomada de consciência do indivíduo face a si mesmo e aos outros, processo que se desenvolverá até ao reconhecimento de uma identidade social e política. Numa primeira fase, terá sido influenciado, como ele próprio considera, pelo existencialismo francês, da década de 50. Mais tarde, na sequência da sua detenção em Caxias, passa a revelar-se como um escritor de resistência, a que se segue, após o 25 de Abril de 1974, um período mais optimista.
Licenciado em Filologia Românica, na Universidade de Lisboa, faz o seu doutoramento, com a apresentação de uma tese sobre Manuel Teixeira Gomes, e, jubila.se, como Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1993.
É membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa, membro correspondente da Academia Brasileira de Letras e tem colaboração dispersa por diversas publicações, nomeadamente, o Bulletin des Études Portugaises, Colóquio-Letras, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Vértice, Nouvel Observateur, etc.
Recebeu variados galardões literários, como o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, o Prémio da Imprensa Cultural, o Prémio Vida Literária – atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.
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A casa da minha infância foi um «monte» alentejano, próximo do rio Ardila, a cerca de quatro quilómetros da branca cidade de Moura.

A frontaria dava para um pátio empedrado, de onde ainda se vêem, num alto, a eira, e mais perto, outras construções: a habitação do feitor, a cavalariça, a vacaria, o galinheiro, o curral dos porcos, o alpendre onde guardavam o trem, o churrião e vários carros de lavoura e alfaias agrícolas, a charrua, a debulhadora, o trilho...

A toda a volta da casa mansas oliveiras, quase cinzentas por tempo fosco, mas de prata quando o sol se mostra. E, quase encostada à casa, as olaias, muito visitadas pelos pardais sobretudo à noitinha, e a suave glicínia, trepando por uma parede caiada, junto a janelas de grega do quarto dos meus pais.

Foi nesse cenário rústico, que de Inverno acordava muitas vezes branco de geada e onde a Primavera vinha cedo, de ouro e azul, sobre a verde germinação das searas, que decorreram os anos mágicos da minha infância, escutando os cantos e os dizeres dos camponeses, brincando com os pastorinhos das ovelhas e das vacas, galopando pelos montados do outro lado do rio, escalando cabeços cobertos de estevas e mistério(...)


Programa da III Bienal de Poesia de Silves


Poem'Arte // Nas Margens da Poesia
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03 abril, 2008

Teresa Tudela

Porto. No seu percurso literário mais recente, a autora reúne em volume Sete Transmutações da Casa, Editora Ausência, Porto, 2002; T a Bernardim, Campo das Letras, 2006 (poesia acompanhada pelo dizer da autora, em CD oferecido com o livro). Recebe o Prémio Litterarius para Poesia, Maio, 2006. Conta com participações em publicações colectivas e on-line; colectâneas e antologias temáticas, designadamente Na Liberdade, Antologia Poética, Garça Editores, Peso da Régua, 2004; Algarve todo o mar, Colectânea, Adozinda Providência Torgal e Madalena Torgal Ferreira (sob a organização de), Dom Quixote, Lisboa; revista “Folium”, Penafiel, 2006; Uma Luz de Papel, Colectânea, Jorge Velhote, Luís Mendonça e Renato Roque (sob a organização de), Edições Éterogémeas, Porto, 2007; 100 Anos 100 Poetas, Cântico em Honra de Miguel Torga, Antologia de Poesia, António Arnaut e Rui Mendes, (sob a organização de), Coimbra Editora, 2008.
No âmbito académico publica artigos em volumes e periódicos da especialidade e on-line, no domínio de Tecnologias Educativas, Women’s Studies e Cultura. Participa com frequência em seminários, conferências, tertúlias e apresentações de livros.
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Porque em mim secreto te guardo
mesmo em vão
no mundo te procurarei por toda a parte

saberão os lagos
brando olhar da terra
ao espelhar de dia nuvens passageiras
e luas em noites claras
porque não são ainda fios de conta
na cauda de organdi dos mais fugazes cometas

dizem-me todavia
que vá

asseveram-me esperar por ti
enquanto o mar se não levante
irado de indignação


que descanse
silenciosos
velarão

margens porosas e firmes da tua imagem

de tanto lhes ter confinado
se ter tornado a brisa minha irmã
dizem
igualmente vestida de ligeiro arrepio e branca

bruma
tardia por sobre
tépidos rosais
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Uma estrela às portas do amor
noite após noite
vigilante
mais forte que todo o olvido
ainda a engolir-nos longamente

antes que sejas luz
serás denso e ázimo
porém
nada em ti me desagrada

não que sejas belo
apenas pão
surpreendente aos meus sentidos
alimento
de verdade limpa no peito

antes que sejas luz
serei cordeiro e orvalho
a nuvem passageira
Medusa
imersa nas profundezas do mar

antes de te guiar o sonho
velará uma estrela cintilante no seu posto
alerta ao dia
em que o seu estro te transpareça
e possa enfim despenhar-se
criança
em gargalhada líquida e cadente no céu
em vibrantes caudais dourados de alegria

saberás então
afagá-la cuidadosamente em meus cabelos

02 abril, 2008

Porfírio Al Brandão

é o pseudónimo literário de Evaristo Almeida Martins, nascido em França a 18 de Abril de 1979 e residindo actualmente em Viseu. Encontram-se publicados os seguintes livros: Ancoradouro [2002], O Príncipe Nu [2002], Boca do Mundo [2004], O Bailado das Facas [2004], Moral Canibal [2005] e Infracarnália [2007]. Colaborador de revistas literárias como Ave Azul e Oficina de Poesia, é um dos elementos do grupo de leitura denominado Sarau dos Danados.
Autor do blogue Januellarium [clique]
e co.autor de Sarau dos Danados [clique]
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] - ● - [


começar no pequenino ponto controverso
: é um princípio do movimento
mais do que isso,
é O PRINCÍPIO!

O MOVIMENTO – sim, o único princípio
e razão única da pulsação

A VIAGEM, camuflado interesse do ser movente
nos dirá que
a única vicissitude do movimento
é a energia,
verdadeiro mistério de qualquer órbita ontológica

e O TRÂNSITO
assombroso milagre aspirante a precipício
que o ser intermitentemente o lê como abismo
ou fascínio (nas suas férias
estendidas a todas as partículas)
A CINÉTICA, portanto
fúria visível dos átomos em delírio
[energia viva]
pressuposto máximo de transacção
dança infernal ou futuroscopia pirotécnica

falemos de espasmos cintilantes
O CÂMBIO – ecossistema convulsionante
espantosamente colorido
mais colorido que o próprio conceito de cor
que o efeito infinitesimal de toda a gama de cores
em todas as suas frequências – colorido de espanto,
melhor dito!


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SONETO À VOLTA DUM DEUS DE BARRO


ali de novo o grosso coro do gentio
a mão cheia de povo

uma rede nervosa de papilas
espigões cárneos expansivos

marchetam, marchetam sem parar
e magoa dentro o respirar

saberá a língua esse gume doentio?

porque nunca imóvel o aglomerado
esse coro encurvado do gentio
desde já solta aquela ou aqueloutra articulação

a seiva do mal ● tenso cordão universal

de cima o grande coração
o tentacular plasmódio populacional
pronto a esboroar o açúcar das estátuas